Há cem anos, a maioria das pessoas via de perto como um parente morria, em casa, cercado pela família. Hoje, segundo a médica canadense Stefanie Green, a morte foi deslocada para hospitais e cercada de máquinas —o que, para ela, tornou as pessoas menos familiarizadas com o processo e, por consequência, mais assustadas com ele.
Pioneira da assistência médica para morrer no Canadá, ela defende que essa mudança ajuda a explicar por que o tema é tão difícil de discutir abertamente, em qualquer sociedade.
Uma das primeiras médicas a oferecer o MAiD (sigla em inglês para assistência médica para morrer) no Canadá, logo após a prática ser legalizada, Green já acompanhou mais de 300 mortes assistidas no país. Ela é presidente fundadora da Camap (Associação Canadense de Avaliadores e Provedores de MAiD) e autora do livro "This Is Assisted Dying" (Isto é morte assistida, sem tradução no Brasil), sobre o primeiro ano de sua atuação na área.
Antes de migrar para o MAiD, Green passou mais de 20 anos como obstetra —uma trajetória que, segundo ela, tem mais semelhanças com seu trabalho atual do que poderia imaginar. "Não sou a pessoa mais importante na sala", diz ela sobre o papel que exerce tanto num parto quanto numa morte assistida.







