Nestes dias, tomei conhecimento de dois estudos recentes, muito interessantes, que sugerem que o sentido dos números talvez seja inato na nossa espécie: parece já estar presente em bebês de apenas alguns dias de vida, ou até horas após o nascimento.
Nas minhas aulas, costumo representar o conjunto dos números como uma reta horizontal, com os números menores do que zero (negativos) à esquerda e os números maiores do que zero (positivos) à direita. O paradigma de que os números crescem da esquerda para a direita é padrão no Ocidente onde, e não pode ser coincidência, também se escreve da esquerda para a direita.
No primeiro desses estudos, pesquisadores da Universidade de Pádua, na Itália, questionam se isso tem a ver com o modo como nosso cérebro está constituído, ou se é uma mera escolha arbitrária perpetuada culturalmente. Afinal, existem outras culturas igualmente ricas —como a árabe, a persa ou a hebraica—, com escrita da direita para a esquerda e nas quais as pessoas tendem a pensar na organização dos números do modo oposto ao nosso, ou seja, crescendo da direita para a esquerda.
O caminho mais seguro para tentar remover a influência cultural é analisar a questão no contexto de recém-nascidos, minimamente expostos ao respectivo ambiente. É isso mesmo que o grupo de Pádua se propôs a fazer, trabalhando com bebês com 12 a 117 horas de vida (a média de idades era de 55 horas).






