Uma das glórias da matemática é a história de que um número elevado a zero é sempre igual a 1. Como pode? Não faz sentido. É algo que, para nós, leigos, alunos relapsos ou miseravelmente formados em humanas, parece absurdo. No entanto, se tivéssemos prestado atenção à aula onde se ensinou o conceito em vez de ficar olhando para as pernas da professora, veríamos como a questão é simples e coerente. Não vou me deter a explicá-la aqui, nem tenho autoridade para isso, mas vá por mim: qualquer número elevado a zero é 1 mesmo. E não só na matemática, como a família Bolsonaro deve estar descobrindo.

Os Bolsonaros têm a mania de, nos frequentes bate-bocas que promovem, tentar silenciar os interlocutores cortando-lhes a palavra com seus grosseiros bordões "Ponto final!", "Caso encerrado!", "Próxima pergunta!", "O recado está dado!", "E daí?", "Cala a boca!" e o favorito deles: "Zero! Chance zero!". Ouvimos isso de Jair Bolsonaro todos os dias durante quatro anos. Era como se, ao reduzir a zero qualquer pergunta, suspeita ou acusação, a dita pergunta, suspeita ou acusação desaparecesse por si só, virasse zero. A realidade provou que ele estava matemática e judicialmente errado.

Outro que repete o equívoco agora é seu filho Flávio Bolsonaro, por acaso o 01 dessa dinastia draculesca. Está até o pescoço com os tipos mais encalacrados do Brasil em matéria de transformar dinheiro público em dinheiro podre e, inquirido a respeito, responde: "Nada a ver! Zero!" —apenas para ser desmentido por gravações de sua própria voz ou por descobertas da polícia.