Imagine que sua professora de matemática te pergunte "quanto é zero?". Parece fácil de responder, né? Zero é nada. Se eu tenho zero brinquedos, significa que eu não tenho nenhum brinquedo. Mas nem sempre essa resposta foi tão simples assim, porque houve uma época em que o número zero não existia. E aí as contas ficavam bem mais complicadas.
Nosso cérebro é treinado para perceber coisas que existem, não a ausência delas. Por isso, é difícil de entender o que é o zero fora de uma conta. Além da matemática, o zero tem um quê filosófico. Ele representa a ausência, e carrega a ideia de algo invisível, que não está em um lugar. Ao mesmo tempo, ele é um nada que existe, uma fronteira entre existir e não existir.
"O zero foi um dos últimos números que a humanidade descobriu", conta o matemático Marcelo Viana, diretor do Impa (Instituto de Matemática Pura e Aplicada) e colunista da Folha. Parece estranho, já que o zero é o primeiro número da fila quando a gente aprende sobre os números: zero, um, dois, três...
Mas a explicação faz sentido se você parar para pensar que, lá no início da humanidade, os números serviam para contar e medir coisas que existiam. Por isso, o zero não servia para nada, já que você não precisa contar quantas galinhas não existem no seu quintal. Se você não tem nenhuma galinha, simplesmente não conta.







