Contar moedas, receber troco na padaria e guardar as economias no cofrinho faziam parte da infância de gerações de brasileiros. Na era do Pix e dos pagamentos por aproximação, essa experiência está desaparecendo.

A transformação traz um desafio para pais e educadores: como ensinar o valor do dinheiro às crianças quando ele se tornou invisível?

"Essa é uma das perguntas mais interessantes e mais candentes no universo da educação financeira", afirma Cássia D’Aquino, psicanalista, educadora e autora de livros como "Como falar de dinheiro com seu filho" (Benvirá, 2014).

Para D’Aquino, é um erro achar que as crianças das novas gerações, por terem grande familiaridade com telas e dispositivos digitais, estão preparadas para lidar com abstrações financeiras.

"O fato de uma criança de dois anos mexer em um tablet não a torna mais madura. Crianças continuam sendo seres concretos. É da natureza delas necessitar da concretude, e com dinheiro isso também acontece", diz. "A capacidade de abstração vai se instalando devagarzinho a partir dos 10 ou 11 anos. E mesmo para adultos, é algo desafiador."