O Pix virou elefante e já incomoda muita gente, especialmente os administradores de cartão de crédito ou débito, que todos os dias perdem espaço no mercado. Seus lobbies vêm pressionando o governo Trump a impor represálias ao Brasil, pelo “comportamento desleal” produzido pela prática do Pix.Em 2025, movimentou R$35,6 trilhões, crescimento de 33,6% quando comparado com os dados de 2024. Isso já dá uma boa ideia do tamanho do elefante. Criado pelo Banco Central (BC) em 2020, se popularizou como opção pública e gratuita de transferências e pagamentos instantâneos no País. Em um ano de funcionamento, o número de transações via PIX cresceu mais de 3.600% no Brasil (Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil) Foto: Marcello Casal Jr/Agência BrasilPUBLICIDADEDesde sua criação, passou por atualizações. Entre elas, estão a adoção do Pix automático para pagamento de contas recorrentes e a do Pix agendado, que permite escolha de data e destinatário do pagamento.O Pix dispensou o uso de cheques, que exigem compensação, devolução dos preenchidos incorretamente e dos sem fundo – os quais impõem altos custos de operação. E vem substituindo operações com TEDs, boletos bancários e cartões de crédito, na medida em que passou a permitir pagamentos parcelados.PublicidadeUm dos seus maiores efeitos positivos foi a intensificação da bancarização. Como as pessoas reduziram substancialmente o uso de dinheiro vivo, até mendigo teve de abrir conta bancária. Em abril, o BC relatou que mais de 96% da população adulta no País tem conta bancária ou conta de pagamento. Em 2019, antes do Pix, a bancarização não passava dos 55%.Levantamento do Google aponta que, de 2019 a 2024, a porcentagem de brasileiros que usavam cédulas e moedas como forma de pagamento despencou de 43% para 6%. Em relatório divulgado em abril, o BC mostrou que os saques nas modalidades tradicionais seguem em queda. No segundo semestre de 2025, caíram 13,8% em relação ao segundo semestre de 2024.A novidade pode transformar-se em artigo de exportação. Em publicação na rede social X, antigo Twitter, o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, recomendou a adoção do modelo brasileiro ao seu país. Hoje, é possível utilizar o Pix em pagamentos por QR code em estabelecimentos da Argentina, do Paraguai, da França e Portugal.É preferência que vem gerando mudanças nos hábitos financeiros. Para evitar despesas com o uso das maquininhas de cartão, as lojas começaram a oferecer descontos para quem paga via Pix.Questão ainda não resolvida é a da sonegação. Quando feitos por Pix, os pagamentos realizados por prestações de serviço têm ignorado a emissão de notas fiscais e, nessas condições, deixam de recolher impostos.Mas é elefante que já virou manada e tomou os espaçosPublicidade