0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Unidades da Braskem no Rio Grande do Sul — Foto: Divulgação/Braskem A crise que levou a Braskem à recuperação extrajudicial foi parte de uma deterioração que atingiu toda a indústria petroquímica global, mas ganhou contornos específicos na companhia. Essa é a avaliação de Claudio Damasceno, especialista em Reestruturação e Recuperação Judicial e sócio da RGF/BIZDOC. Segundo Damasceno, o principal fator por trás da piora das margens foi o excesso estrutural de oferta. Entre 2020 e 2025, a capacidade global de eteno cresceu cerca de 40 milhões de toneladas, enquanto a demanda avançou aproximadamente 27 milhões de toneladas. A China respondeu por cerca de 70% das novas capacidades, em um movimento de busca por autossuficiência que ampliou a oferta de petroquímicos no mercado internacional. O movimento derrubou as margens de produtores em diferentes regiões. Empresas como Dow, LyondellBasell, Westlake, SABIC, Formosa e Sinopec também registraram forte deterioração dos resultados e prejuízos em 2025. A margem EBITDA da indústria, segundo a análise, recuou de cerca de 15% a 22% no pico de 2022 para algo entre 4% e 10% em 2025. A Braskem, porém, chegou ao "vale do ciclo" em condições mais frágeis que seus concorrentes. A operação brasileira depende de nafta, insumo ligado ao petróleo e comprado da Petrobras, enquanto produtores dos Estados Unidos utilizam etano e propeno derivados do shale gas, de custo mais baixo. A diferença no custo de caixa do eteno chega a cerca de US$ 480 por tonelada, segundo Damasceno. A operação internacional chegou a compensar parte dessa desvantagem. Em 2022 e 2023, a margem EBITDA do segmento Estados Unidos e Europa foi superior à do Brasil. O cenário mudou em 2024 e 2025, quando paradas programadas, demanda mais fraca e spreads menores comprimiram o resultado internacional. A margem caiu para 4,9% em 2024 e ficou negativa em 2025, em -1,8%. No Brasil, avançou para 8,7% e 7,5%, respectivamente. Para Damasceno, entretanto, o principal diferencial da Braskem em relação aos pares está na estrutura financeira. A companhia chegou a uma alavancagem de aproximadamente 14,7 vezes, contra 5 a 6 vezes nos concorrentes mais pressionados e menos de quatro vezes na maioria dos demais. Enquanto os grandes produtores globais reduziram lucros e dividendos, a Braskem chegou ao default e à proteção contra credores. Na avaliação do especialista, o ciclo explica a deterioração dos resultados, mas não o desfecho. A companhia entrou no período de margens deprimidas já pressionada por fatores próprios, como a dependência da nafta, o passivo de Alagoas (caso do afundamento do solo em Maceió, provocado pela atividade de mineração de sal-gema da Braskem), o limbo de controle acionário, a dívida dolarizada, a exposição ao México e os dividendos distribuídos no topo do ciclo. A conclusão é que empresa entrou no período ruim da petroquímica já fragilizada e sem colchão e por isso o mesmo choque a levou muito mais fundo. Para Damasceno, a insolvência tem causas estruturais e específicas que só uma recomposição de capital resolve.
Entenda por que a crise global do setor petroquímico atingiu a Braskem com mais força
Entenda por que a crise global do setor petroquímico atingiu a Braskem com mais força













