Especialistas ouvidos pela coluna avaliam que a recuperação extrajudicial da Braskem é uma solução tampão. Elas resolvem um problema imediato de caixa, mas não a origem da crise. A avaliação é que o acordo compra tempo, mas não é a solução definitiva, e a maior petroquímica da América Latina vive hoje uma tensão entre o alívio de curto prazo e a sustentabilidade em um futuro distante. Um deles diz que a recuperação judicial é um "pedido de socorro".

A Braskem protocolou nesta segunda-feira (24) pedido de recuperação extrajudicial na 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais da Comarca da Capital de São Paulo. O objetivo é reestruturar dívidas de cerca de US$ 10,9 bilhões (R$ 56,2 bilhões). A companhia assegurou adesão de 39% dos credores, o que atende ao percentual para fazer a solicitação, e agora tem 90 dias para atingir o número necessário para a aprovação do plano.

Cerca de 75% da dívida da empresa está em fundos estrangeiros como AllianceBernstein, Morgan Stanley, GMO, Invesco e JPMorgan. O restante se divide em debêntures, CRAs e bancos locais.

"Nessas condições, quando bancos e fundos mais estruturados impõem condições inviáveis, você faz o acordo possível. É um reescalonamento que dá fôlego, mas que não ataca a origem do problema. Não sei se vai acontecer com a Braskem, mas não são raros acordos como esse que migram para a recuperação judicial porque a empresa não tem fôlego para cumprir o que promete", afirma Renato Scardola, sócio da Scardola e Dele Sole Advogados, especialista em recuperações judiciais.