0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Fábrica da Braskem em Duque de Caxias (RJ) — Foto: Lucas Landau / Bloomberg O pedido de recuperação extrajudicial da Braskem não surpreendeu o mercado. No fim de junho, a companhia já havia obtido uma tutela cautelar por 60 dias na 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais da Comarca da Capital do Estado de São Paulo, suspendendo as execuções de credores. O prazo venceu nesta segunda-feira, o que ajuda a explicar o anúncio de hoje, e a pequena repercussão na Bolsa com queda de apenas 3% nas ações da companhia. Gigante do setor petroquímico, a empresa já vinha enfrentando dificuldades financeiras. Desde 2018, acumula um elevado passivo relacionado ao afundamento do solo em Maceió, provocado pela atividade de mineração. O caso já consumiu R$ 15,8 bilhões e levou a Braskem a constituir R$ 18,17 bilhões em provisões relacionadas a indenizações e compensações. A Braskem, que inicialmente tinha Petrobras e Odebrecht como sócias em partes iguais, passou por uma mudança no controle acionário após a Lava-Jato. A participação da Odebrecht, posteriormente rebatizada de Novonor, foi reduzida. No primeiro trimestre deste ano, a IG4 Capital, empresa especializada na recuperação de companhias em dificuldades, passou a deter 51% do capital da Braskem. A Petrobras é o segundo maior acionista, com 47%, enquanto a Novonor ficou com uma participação residual. No comunicado divulgado nesta segunda-feira, a Braskem informa que a recuperação extrajudicial se limita às obrigações financeiras e que a companhia continuará cumprindo normalmente seus compromissos com fornecedores e outros tipos de credores. O objetivo é ganhar tempo para negociar com os credores financeiros uma dívida declarada de US$ 10,9 bilhões, equivalente a cerca de R$ 56 bilhões. A expectativa é que a companhia consiga reestruturar esse passivo e criar condições para a recuperação financeira do negócio. Na recuperação extrajudicial, a negociação é feita diretamente entre a empresa e seus credores, embora o acordo precise ser submetido à Justiça para homologação. É diferente, portanto, do processo de recuperação judicial, como o adotado pelas Casas Bahia. Segundo informações do Valor, uma das possibilidades em discussão para recapitalizar a Braskem seria a oferta de ações, com os recursos destinados à reorganização financeira e ao pagamento de credores. Vamos precisar observar os desdobramentos. 'Não dá para ficar contente com uma notícia de que o crédito cresceu e depois reclamar que o endividamento cresceu', diz Galípolo É um evento importante para a economia brasileira, pela relevância da Braskem para a indústria petroquímica e pelo tamanho de seu endividamento. Mas, neste momento, a recuperação extrajudicial não aparece um sinal de colapso da empresa, tudo indica que há boa chance da petroquímica desse sufoco.