Avaliação da companhia é que não precisa, neste momento, contratar novas dívidas, mas alongar os vencimentos das obrigações existentes, disseram fontes 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 A Braskem vai protocolar ainda nesta segunda-feira, provavelmente no fim da manhã, um pedido de recuperação extrajudicial para abrir uma negociação formal com seus credores. A petroquímica tem uma dívida de aproximadamente US$ 10 bilhões e busca, principalmente, mais prazo para pagar seus compromissos, conforme apurou o Valor. A cautelar que protege a petroquímica de execuções de credores vence hoje. O pedido será apresentado com a adesão de credores que representam cerca de um terço dos créditos abrangidos pelo plano. Esse é o percentual mínimo necessário para iniciar o procedimento e abrir um prazo de 90 dias, durante o qual a Braskem terá de elevar o apoio para mais de 50% dos créditos incluídos na recuperação extrajudicial. A partir de agora, portanto, começarão as negociações. Alcançada essa maioria, a companhia poderá pedir a homologação do plano e fazer com que suas condições sejam aplicadas também aos credores da mesma classe que não tenham aderido voluntariamente. A proposta apresentada nesta primeira etapa, portanto, ainda não representa um acordo definitivo. Seu objetivo é criar um ambiente formal para negociar com todos os credores a reorganização do passivo e ter mais esse prazo de 90 dias, segundo fontes. A avaliação da Braskem é que a companhia não precisa, neste momento, contratar novas dívidas, mas alongar os vencimentos das obrigações existentes, disseram fontes. O diagnóstico é que o problema financeiro está mais concentrado no cronograma de pagamentos do que na necessidade imediata de acrescentar novos empréstimos à estrutura de capital. Esses serão alguns dos pontos que serão trazidos no pedido de recuperação extrajudicial a ser apresentado à Justiça, que ainda terá um formato “em aberto”, visto que as tratativas com os credores tendem agora a ganhar tração. O pedido deverá classificar como subordinadas as dívidas “intercompany”, contraídas pela Braskem com outras empresas de seu próprio grupo econômico, disseram fontes. Na prática, esses créditos ficam atrás das obrigações com credores externos na ordem de pagamento e assumem uma posição de maior risco na reestruturação. Confira os resultados e indicadores da Braskem e das demais companhias de capital aberto no portal Valor Empresas 360 O plano também deverá prever, como possibilidade futura, a conversão de dívida em participação acionária e a realização de aportes de capital, apurou o Valor. Esses mecanismos não fazem parte da solução imediata, mas poderão ser acionados caso a Braskem não cumpra determinadas métricas financeiras ou operacionais nos próximos anos, explicou um interlocutor. Os credores vinham pressionando por uma injeção de capital, mas a alternativa vinha sofrendo resistência dos acionistas. As negociações são conduzidas com o apoio da Makalu e da Lazard, que assessoram a Braskem. A Petrobras, sócia da petroquímica, é assessorada pelo BR Partners e passou a participar mais diretamente das discussões na reta final. A Petrobras também colocou em discussão uma forma de apoio comercial, sem a concessão de um empréstimo ou a contratação de nova dívida, conforme noticiou o Valor. Uma das possibilidades é permitir que a Braskem tenha prazo de até seis meses para pagar pela nafta fornecida pela estatal, hoje adquirida à vista. A estrutura teria um limite para a exposição da Petrobras, mas ainda não foi fechada. Em contrapartida, credores têm defendido a adoção de mecanismos de proteção, os chamados “guard rails”, que poderiam incluir restrições ao pagamento de dividendos e limites para operações de fusões e aquisições e para a venda de ativos. As condições e o período de vigência dessas restrições também continuam em discussão. A reestruturação ocorre ainda em meio à mudança na posição dos bancos credores da Novonor, controladora da Braskem ao lado da Petrobras. Um fundo ligado à IG4 Capital adquiriu créditos dos bancos contra a Novonor que tinham ações da petroquímica como garantia. Com isso, a gestora passou a ocupar um papel central nas negociações envolvendo o futuro da companhia. — Foto: Divulgação