A recuperação extrajudicial da Braskem pode atingir não apenas bancos e grandes credores, mas também investidores que tenham exposição direta ou indireta à dívida da petroquímica.

O conselho de administração da companhia aprovou nesta segunda-feira (24) o pedido de recuperação extrajudicial para reestruturar cerca de US$ 10,9 bilhões em dívidas. Segundo a Braskem, o processo terá escopo estritamente financeiro e não abrangerá compromissos com fornecedores, clientes e demais parceiros comerciais.

O Instituto Empresa, associação civil que atua na defesa de acionistas minoritários, afirma que a deterioração do crédito da companhia pode provocar perdas não apenas nos títulos diretamente sujeitos ao processo, mas também em produtos estruturados e fundos que tenham Braskem em suas carteiras.

Para a associação, o caso reforça a necessidade de transparência ativa por parte de bancos, corretoras, distribuidores, agentes fiduciários, administradores fiduciários e gestores.

"O investidor que comprou um produto apresentado como renda fixa precisa entender se, na prática, estava exposto ao risco de crédito de uma companhia altamente alavancada. A recuperação extrajudicial da Braskem não é apenas um evento corporativo: ela atinge a confiança no mercado de crédito privado e exige máxima transparência dos intermediários financeiros", afirma Nicole Berto, executiva do Instituto Empresa, em comunicado à imprensa.