0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Fábrica da Braskem — Foto: Bloomberg A Braskem tem um caminho difícil a percorrer nos próximos 90 dias. A empresa já conta com a concordância de cerca de 40% de seus credores financeiros para a proposta de recuperação extrajudicial aprovada pelo Conselho de Administração nesta segunda-feira. Mesmo entre esses credores, no entanto, ainda é preciso acertar os termos da renegociação da dívida de US$ 10,9 bilhões (cerca de R$ 56 bilhões) e convencer os outros 60%. A proposta prevê a suspensão apenas das dívidas financeiras. Os demais pagamentos continuariam em dia, incluindo os compromissos com trabalhadores e fornecedores. A empresa vem enfrentando dificuldades desde que a Odebrecht, então uma de suas principais acionistas, se envolveu em corrupção relevadas pelas Lava-Jato, o que trouxe, entre outras consequências, limitações à participação em contratos públicos. A principal complicação, porém, veio do desastre ambiental causado pela exploração de sal-gema em Maceió. O problema provocou o afundamento do solo, o deslocamento de cerca de 60 mil pessoas e exigiu o desembolso de R$ 4,25 bilhões — recursos que ainda não foram suficientes para solucionar os graves impactos ambientais e sociais do episódio. Além desses passivos da corrupção e da crise ambiental, a Braskem tem sofrido o impacto do aumento da produção petroquímica da China, que pressionou suas margens. A empresa também sente o efeito dos juros elevados, que aumentam o custo de sua dívida. Nesse cenário, depois de várias tentativas frustradas, a Novonor, nome adotado pela antiga Odebrecht, vendeu recentemente a maior parte de sua participação à IG4, empresa especializada na recuperação de companhias em dificuldades e que também participa da reorganização da Raízen. Há uma outra complicação na situação da Braskem, a Petrobras é a segunda maior acionista da petroquímica, com 47% do capital da empresa. Se a situação se agravar, a maior estatal brasileira será afetada. Maior produtora de resinas do país, a Braskem tem importância estratégica para a indústria brasileira. Se a crise vier a afetar sua capacidade de produção, indústrias nacionais poderão ser obrigadas a importar matéria-prima utilizada na fabricação de uma ampla variedade de produtos, de embalagens a utensílios domésticos. Isso elevaria os custos e deixaria ainda mais expostas as empresas às oscilações do dólar. Conversa entre Lula e Trump recoloca negociadores nos trilhos, mas Brasil precisa saber o que vai oferecer para avançar Ainda não está claro como a Braskem fará o alongamento da dívida, que é o principal objetivo da recuperação extrajudicial. A informação inicial era de que a empresa poderia recorrer ao mercado. Depois, foi informado que não haveria venda de ações, embora permaneça a possibilidade de conversão de dívida em participação acionária de credores — uma operação que diluiria o capital dos atuais acionistas. O que se espera é que, ao final dessa travessia de 90 dias, a empresa consiga chegar a uma solução que permita reestruturar sua dívida sem comprometer sua operação e seu papel estratégico para a indústria brasileira.
A crise da Braskem tem muitas causas e várias consequências para a economia
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