A Braskem perdeu espaço no mercado brasileiro nos últimos anos para companhias estrangeiras, que tiveram acesso a matéria-prima mais barata e conseguiram fornecer resinas por um preço menor, segundo especialistas do setor consultados pela Folha.

A Braskem protocolou nesta segunda-feira (24) seu pedido de recuperação extrajudicial. A petroquímica recuperações extrajudiciais reconheceu uma dívida de US$ 10,9 bilhões (aproximadamente R$ 56,2 bilhões) e disse ter 39,6% do apoio dos credores sujeitos a receber créditos do plano.

Unidade de produção da Braskem em Triunfo (RS); companhia, listada na Bolsa, pediu recuperação extrajudicial para arcar com dívidas de cerca de US$ 10,9 bilhões - Diego Vara - 15.dez.25/Reuters

Em seu plano de recuperação extrajudicial, a Braskem diz atravessar uma "crise de liquidez significativa, decorrente, sobretudo, do ciclo prolongado de baixa da indústria petroquÌmica global, com queda de demanda, excesso de oferta mundial, compressão de 'spreads' e perda de competitividade dos produtores à base de nafta".

Décio Oddone, ex-diretor-geral da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), explica que companhias americanas se beneficiaram do aumento da produção de gás natural nos Estados Unidos, que ampliou a oferta de etano, hidrocarboneto usado como matéria-prima para a produção de etileno — que, por sua vez, é utilizado na fabricação de plásticos. No Brasil, o etileno é produzido principalmente a partir de nafta, uma matéria-prima que, em comparação com o etano, tende a ser menos competitiva em termos de custo.