Nova ofensiva americana econômica ocorre, porém, em paralelo a sinais de uma possível retomada dos esforços diplomáticos para encerrar a guerra no Oriente Médio 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Duas mulheres caminham diante de uma imagem do falecido líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, morto em um ataque dos Estados Unidos e de Israel, na quinta-feira, 20 de agosto de 2026, no centro de Teerã, Irã — Foto: AP Foto/Vahid Salemi O Irã classificou nesta terça-feira a ampliação das sanções dos Estados Unidos destinadas a isolar sua economia como uma ameaça ao direito internacional e à Carta das Nações Unidas, além de ter expressado confiança de que muitos países não aderirão à campanha de pressão americana. “Nenhum Estado digno que valorize sua soberania e seus interesses nacionais aceitará a normalização de um desrespeito tão flagrante à lei e de uma intimidação sistemática”, afirmou o Ministério das Relações Exteriores da República Islâmica em comunicado. Quase seis meses após o início de um conflito que os EUA têm enfrentado dificuldades para encerrar, o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, anunciou sanções contra mais de 60 entidades, indivíduos e embarcações acusados de ajudar Teerã a obter tecnologia nuclear e de mísseis na segunda-feira, mas evitou recorrer às opções mais punitivas. Embora tenha afirmado que nações que continuarem negociando com o Irã correm o risco de ser excluídas do sistema financeiro baseado no dólar, Bessent não estabeleceu um prazo nem identificou quais deles poderiam ser alvo, afirmando que lhes daria tempo para cumprir a nova determinação. Motociclistas passam por um painel que retrata o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, debaixo d’água em meio a explosões, com os dizeres 'Grande vitória! Estreito de Ormuz', em Teerã, Irã, na segunda-feira, 24 de agosto de 2026 — Foto: AP Foto/Vahid Salemi A nova ofensiva econômica ocorre, porém, em paralelo a sinais de uma possível retomada dos esforços diplomáticos para encerrar a guerra, iniciada com ataques dos EUA e de Israel contra o Irã em 28 de fevereiro. O conflito interrompeu a maior parte da navegação pelo Estreito de Ormuz, por onde passava anteriormente cerca de um quinto dos carregamentos mundiais de petróleo e gás natural liquefeito. Teerã e Washington chegaram a assinar em junho um acordo provisório destinado a encerrar as ofensivas de ambos os aldos e restabelecer gradualmente a navegação por Ormuz, mas o entendimento rapidamente se deteriorou após o Irã retomar os ataques a embarcações comerciais na via marítima, agravando as restrições às exportações de energia do Golfo. Agora, Omã e Paquistão tentam reabrir uma via de negociação. Irã e Omã disseram ter discutido nesta terça-feira uma proposta para estabelecer um “corredor temporário conjunto de navegação” pelo estreito, além de um plano para retirar minas da passagem. O Paquistão, que também atua como mediador, afirmou ter obtido “avanços significativos” nas conversas mais recentes com Teerã, voltadas a impedir uma nova escalada e reabrir o Estreito de Ormuz. Segundo Abbas Golroo, chefe do comitê de Relações Exteriores do Parlamento iraniano, o chefe do Exército paquistanês, Asim Munir, entregou na segunda-feira uma mensagem dos EUA ao Irã. “Parece que o principal objetivo era retomar o processo político interrompido”, afirmou Golroo à agência de notícias Isna. Não houve comentário imediato da Casa Branca nem do Departamento de Estado. Segundo uma fonte do governo paquistanês, o Irã manifestou disposição, de forma geral, para retomar as negociações de paz durante as reuniões de segunda-feira, embora tenha expressado preocupação com as novas sanções de Washingotn. “O Paquistão disse a eles que os EUA reverterão essas decisões antes ou durante uma nova rodada de negociações”, afirmou a autoridade. Apesar dos movimentos diplomáticos, a tensão em torno de Ormuz permanece elevada. O presidente dos EUA, Donald Trump, repetiu nesta terça-feira que todas as minas no estreito haviam sido removidas ou detonadas e afirmou que o Irã foi avisado de que qualquer navio ou embarcação que instalar novas minas será destruído. Não houve grandes ataques americanos ou iranianos nas últimas semanas, mas um porta-voz da Guarda Revolucionária (IRGC) prometeu ataques pesados contra interesses dos EUA e pontos estratégicos para o fluxo de energia caso a infraestrutura iraniana seja ameaçada. Nos mercados, os preços do petróleo caíram pelo segundo dia consecutivo, com operadores minimizando por enquanto o impacto das novas sanções, embora permaneça a preocupação com a capacidade do Irã de voltar a interromper a navegação por Ormuz. Navios e barcos no Estreito de Ormuz, Musandam, Omã , 1º de maio de 2026 — Foto: REUTERS/Stringer/Foto de Arquivo