Teerã enfrenta sanções econômicas severas e quase ininterruptas há cerca de 50 anos, desde a Revolução Islâmica de 1979 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Pessoas passam por um mural que retrata o falecido líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, em uma rua de Teerã, Irã, em 13 de agosto de 2026 — Foto: Majid Asgaripour/WANA (West Asia News Agency) via REUTERS O Irã afirmou nesta sexta-feira que sua resposta a qualquer nova ameaça dos Estados Unidos será “devastadora”, depois que Washington prometeu impor as punições financeiras mais duras da história com o objetivo de derrubar o governo iraniano. As declarações feitas na quinta-feira pelo secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, vieram após o presidente Donald Trump ameaçar impor consequências econômicas a qualquer país que forneça “qualquer tipo de apoio ao Irã”. Bessent prometeu divulgar detalhes na segunda-feira. O chefe do Estado-Maior das Forças Armadas iranianas, major-general Ali Abdollahi, afirmou que a reação da República Islâmica será ampla e decisiva. “Com prontidão em terra, no mar, no ar, na defesa aérea e no ciberespaço, as Forças Armadas do Irã responderão às novas ameaças do inimigo com respostas esmagadoras, punitivas e devastadoras”, disse Abdollahi, segundo a imprensa iraniana. O poderoso presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, principal negociador do país nas conversas mediadas com os EUA, afirmou que Washington parece ter concluído que não conseguiria prevalecer em um confronto militar direto. “Precisamos elaborar planos para lidar com as sanções injustas para que possamos superá-las”, afirmou durante visita ao vizinho Iraque, acusando EUA e Israel de recorrerem ao que chamou de guerra econômica e “cognitiva”. Os preços do petróleo ficaram estáveis nesta sexta-feira, mas caminhavam para a segunda alta semanal consecutiva, em meio às preocupações com as exportações de energia do Golfo. Na quinta-feira, o petróleo atingiu o maior nível em mais de três semanas após a ameaça de sanções, destinadas a forçar o Irã a aceitar o fim de um conflito que deixou milhões de barris de petróleo do Oriente Médio sem escoamento. “Não sei ao certo por que o petróleo subiu com isso”, disse Bessent à CNBC. “Se estivermos exercendo a máxima pressão econômica, isso significa que provavelmente não haverá uma retomada de operações militares de grande escala”, afirmou. Milhares de pessoas morreram na guerra, que envolveu países do Golfo e abalou os mercados à medida que o Irã demonstrou sua capacidade de restringir a navegação pelo Estreito de Ormuz, por onde passava cerca de um quinto de todo o petróleo comercializado no mundo antes de fevereiro. EUA e Irã anunciaram duas vezes acordos de cessar-fogo, em abril e junho, com o objetivo de restabelecer a livre navegação por Ormuz e avançar rumo ao fim do conflito, que já dura quase seis meses. Ambos os acordos, porém, ruíram rapidamente. O Irã enfrenta sanções econômicas severas e quase ininterruptas há cerca de 50 anos, desde a Revolução Islâmica de 1979. Antes das declarações de Bessent, o Ministério das Relações Exteriores iraniano condenou as sanções econômicas e comerciais dos EUA, classificando-as como “terrorismo econômico” que não provocará “a menor hesitação na determinação dos iranianos de preservar a independência, a dignidade e a soberania nacional do Irã”. Bessent disse à CNBC que dará mais detalhes sobre o novo pacote e falará “exatamente sobre o que vamos fazer” em relação ao Irã em uma coletiva de imprensa na segunda-feira. “É um golpe duplo. Temos o bloqueio [ao Irã] e vamos impor as sanções mais duras da história”, acrescentou, referindo-se ao bloqueio naval americano imposto ao Irã em abril e suspenso por um mês em meados de junho. “Isso vai funcionar no Irã e vamos derrubar esse regime. É hora de nossos aliados e do restante do mundo tomarem uma decisão”, afirmou. Trump enfrenta pressão interna para encerrar a guerra, com os preços elevados dos combustíveis afetando seus índices de aprovação e podendo ameaçar o controle do Partido Republicano sobre o Congresso nas eleições de meio de mandato de novembro. Pessoas passam o tempo em uma praia enquanto embarcações comerciais permanecem ancoradas no Estreito de Ormuz, ao largo de Bandar Abbas, Irã, em 5 de agosto de 2026 — Foto: Amirhosein Khorgooi/Isna via AP Bloqueio reduz fluxo de petróleo para a China A China compra mais de 80% do petróleo iraniano exportado por via marítima, segundo dados de 2025 da empresa de análise Kpler. Uma intensificação da guerra econômica contra Pequim, porém, traz riscos de retaliação contra Washington, já que a China é uma importante exportadora para os EUA, inclusive de minerais de terras raras essenciais. Questionado se os EUA poderiam adotar medidas contra a China por manter negócios com o Irã, Bessent afirmou que muitas conversas são melhores quando mantidas em privado. “É preciso lembrar que os chineses obtêm 50% de sua energia (...) do Golfo. Portanto, seria muito benéfico para eles aderir ao esforço”, afirmou. A Embaixada da China em Washington disse que “sanções e pressão não ajudam a resolver o problema”. “A China pede às partes envolvidas que adotem medidas responsáveis e resolvam a questão por meios políticos e diplomáticos”, afirmou um porta-voz da embaixada. As ofertas de petróleo iraniano a compradores chineses já diminuíram, e os preços subiram nesta semana, uma vez que o bloqueio americano aos portos iranianos — restabelecido em 13 de julho — reduziu os embarques de Teerã, disseram fontes do mercado à Reuters.