Washington prometeu impor as 'sanções mais duras da história' para forçar Teerã a ceder às suas exigências, após quase seis meses de conflito 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Pessoas caminham perto de um painel que retrata o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em um edifício em Teerã, Irã, em 22 de agosto de 2026 — Foto: Majid Asgaripour/WANA (West Asia News Agency) via REUTERS As ameaças dos Estados Unidos de impor as “sanções mais duras da história” para forçar o Irã a ceder às suas exigências, após quase seis meses de guerra, aumentaram a perspectiva de uma nova rodada de escalada no Golfo. Entenda a seguir como Teerã poderia responder à pressão econômica de Washington. O Irã pode impedir que mais petróleo saia do Oriente Médio? Desde o início da guerra, em 28 de fevereiro, uma das principais estratégias de Teerã tem sido ameaçar interromper as exportações de petróleo. Mohsen Rezaei, ex-comandante da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) e secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, já reiterou essa ameaça em meio à ofensiva econômica americana. “Se a guerra econômica continuar, nem uma única gota de petróleo será exportada, nem pelo Estreito de Ormuz nem por qualquer outro lugar do Golfo Pérsico”, afirmou. Ataques e ameaças do Irã à navegação já interromperam a maior parte do tráfego pelo Estreito de Ormuz, praticamente paralisando uma rota marítima pela qual passava cerca de um quinto da energia mundial antes do conflito. Embora alguns petroleiros tenham transitado pelo estreito nas últimas semanas, os volumes continuam muito baixos e, no domingo, o Irã colocou em uma lista negra 45 petroleiros que, segundo o país, não cumpriram as regras que Teerã pretende impor à navegação por Ormuz. Bombardeios com mísseis, drones ou lanchas rápidas contra petroleiros que tentam deixar o Golfo elevaram repetidamente os preços do petróleo ao longo dos seis meses de conflito. Enquanto isso, os houthis, aliados de Teerã no Iêmen, restringiram a navegação no Mar Vermelho com ataques e ameaças de bloquear todo o tráfego marítimo ligado à Arábia Saudita, que transporta petróleo bruto para a Ásia pelo Estreito de Bab el-Mandeb, próximo ao reduto do grupo. Embora inicialmente os ataques tenham impedido a passagem de apenas algumas embarcações, com mais da metade ainda conseguindo atravessar a região em meados de agosto, a situação tem se tornado difícil para as empresas de transporte marítimo. Companhias chinesas do setor estão agora desviando suas rotas para evitar Bab el-Mandeb, segundo fontes da indústria. Novos ataques, como o que atingiu uma embarcação próxima ao principal terminal petrolífero saudita no Mar Vermelho, em Yanbu, na segunda-feira, ou o ataque de drone nas proximidades do Canal de Suez no início de agosto, poderiam aumentar a apreensão no mercado e elevar os preços do petróleo. Embarcações próximas ao Estreito de Ormuz, vistas de Musandam, em Omã, em 24 de agosto de 2026 — Foto: REUTERS/Stringer Os países do Golfo ainda correm risco? O Irã ameaçou retaliar com a força de um “terremoto” contra quaisquer países vizinhos que participem dos esforços dos EUA para sufocar a economia iraniana. Teerã atacou repetidamente países do Golfo e a Jordânia durante a guerra, concentrando-se principalmente em bases americanas, mas também atingindo infraestrutura energética e outros alvos. Uma intensificação dos ataques contra instalações de produção de petróleo ou gás poderia elevar ainda mais os preços da energia, causando danos políticos ao governo Trump, além de produzir efeitos mais difíceis de reverter do que ataques à navegação. Ataques contra usinas de energia e instalações de dessalinização de água na região, marcada por clima quente e seco, também representariam um grande risco para as monarquias do Golfo alinhadas aos EUA, que funcionam como importantes centros financeiros para a economia mundial. O Irã pode atacar diretamente países ocidentais? Embora os países ocidentais estejam fora do alcance dos principais armamentos iranianos, a Guarda Revolucionária historicamente demonstrou disposição para buscar formas alternativas de ataque. Na segunda-feira, o Reino Unido afirmou que hackers ligados ao Irã haviam paralisado uma pequena estação de energia, enquanto autoridades americanas disseram que Teerã provavelmente estava por trás de ataques cibernéticos contra instalações de abastecimento de água em Minnesota. O Irã não comentou essas acusações. Serviços de segurança ocidentais também acusaram o Irã de recrutar pessoas nos próprios países para realizar ataques ou tentar cometer assassinatos no Ocidente. O Irã nega as acusações. Motociclistas passam por um painel que retrata o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com mãos em volta do pescoço, abaixo dos dizeres “A vingança é inevitável”, em Teerã, Irã, na segunda-feira, 24 de agosto de 2026 — Foto: AP Foto/Vahid Salemi
Quais as opções do Irã para intensificar a guerra em meio às ameaças econômicas dos EUA?
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