Segundo o Wall Street Journal, comandantes mencionaram estoques baixos de equipamentos de defesa aérea, mas não descartam bombardeios no curto prazo 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Mural no centro de Teerã pedindo vingança contra o presidente dos EUA, Donald Trump — Foto: AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 27/07/2026 - 08:46 EUA Adiam Ofensiva ao Irã por Falta de Mísseis; Buscam Verbas O Wall Street Journal revelou que a baixa nos estoques de mísseis de defesa aérea dos EUA impediu uma nova ofensiva contra o Irã, apesar das ameaças de Donald Trump. A suspensão dos bombardeios visa negociar um acordo, enquanto o Irã ameaça a Ucrânia após um ataque a um navio iraniano. O governo dos EUA nega as limitações de arsenal, mas busca verbas adicionais para o conflito. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Enquanto o governo dos EUA afirma que suspendeu os bombardeios diários ao Irã para abrir caminho a novas negociações rumo a um acordo entre os dois países, fontes militares revelaram à imprensa americana que outro fator pesou na decisão: os baixos estoques de mísseis de sistemas de defesa aérea, cruciais para enfrentar as retaliações iranianas. Segundo o Wall Street Journal (WSJ) o chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, Dan Caine, compartilhou com Casa Branca suas preocupações com os estoques de equipamentos de sistemas como o Patriot, depauperados desde fevereiro, quando o presidente Donald Trump iniciou a chamada “Operação Fúria Épica”, ao lado de Israel. Embora ele considere que uma nova série de bombardeios intensos — como a que estava prevista para começar na semana passada — seja possível neste cenário, a relativa fragilidade dos sistemas de defesa é um fator de risco. Por isso, alega o jornal, a retomada da guerra total, como a que Trump vinha ameaçando há semanas, foi adiada. O Pentágono não divulga seus estoques atualizados, mas estimativas independentes afirmam que até 1,5 mil mísseis do sistema Patriot foram usados desde fevereiro, e que há pouco mais de mil nos arsenais. Reabastecer os estoques com esse tipo de armamento, usado não só no Golfo, mas em outros cenários, como a Ucrânia, é um processo que pode levar anos. “Os estoques reduzidos de munição criaram um risco de curto prazo”, afirmou um relatório de abril do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS), elaborado por Mark Cancian, coronel reformado do Corpo de Fuzileiros Navais, e pelo pesquisador Chris Park, citado pelo WSJ. “Uma guerra contra um concorrente de peso equivalente e capaz, como a China, consumirá munições em taxas mais elevadas do que nesta guerra.” Na sexta-feira, o New York Times já havia revelado a mudança de planos de Trump, a associando também aos baixos estoques de sistemas de defesa. O presidente tem se mostrado impaciente com a falta de avanços nas negociações com os iranianos e com os recorrentes ataques contra navios no Estreito de Ormuz, e vinha discutindo com seu comando militar planos para a retomada da guerra total no Golfo. Mas parece ter sido convencido de que essa, ao menos por enquanto, não é a melhor ideia — os ataques contra bases americanas na Jordânia e Kuwait, que deixaram ao menos três militares mortos, ressaltaram a vulnerabilidade das tropas diante dos mísseis e drones de Teerã. A Casa Branca rejeita as alegações sobre os arsenais, mas, na semana passada, o secretário de Defesa, Pete Hegseth, foi ao Congresso pedir a liberação de US$ 67 bilhões em verbas adicionais para custear a guerra contra o Irã. Segundo ele, o conflito já drenou US$ 37,5 bilhões dos cofres dos EUA. — [O presidente] sempre manteve a coerência ao afirmar que prefere uma solução diplomática, mas continua a manter todas as opções em aberto caso o Irã prossiga com atividades terroristas no Estreito de Ormuz ou contra aliados — disse, na sexta-feira, Steven Cheung, diretor de comunicações da Casa Branca. — Seria sensato para o Irã buscar um acordo negociado; caso contrário, eles sabem o que acontecerá. No domingo, em entrevista à Fox News, Mike Waltz, embaixador americano na ONU, também rejeitou as alegações de que os arsenais dos EUA estão em níveis críticos, e disse que Trump "está dando um pouco de espaço às conversas; está deixando as coisas respirarem um pouco”. — Veremos nos próximos dias. Mas não se engane, meios militares adicionais estão sendo transferidos para a região — declarou Waltz, agora falando à CBS, no domingo. — O regime deveria acreditar no presidente quando ele diz que está tudo pronto e que todas as opções estão sobre a mesa. Em resposta à decisão da Casa Branca de suspender os ataques, o Irã declarou que também vai interromper seus ataques contra posições americanas em países ao redor do Oriente Médio. Mas em outra frente, disse que não vai ignorar o ataque realizado pela Ucrânia contra um de seus navios no Mar Cáspio, no fim de semana, no primeiro incidente do tipo desde fevereiro, e que deixou ao menos um tripulante morto. “Zelensky atacou um navio comercial iraniano, matando um marinheiro. Uma violação flagrante da Carta da ONU, realizada a mando de Israel para arrastar a Europa para a sua guerra”, disse, no domingo, Abbas Araghchi, chanceler iraniano, na rede social X. “Em conversas com a Alta Representante da UE, [Kaja] Kallas, e com o Ministro das Relações Exteriores [da Rússia, Sergei] Lavrov, deixou-se claro que o que o aproveitador de Kiev fez NÃO PODE FICAR SEM RESPOSTA.” Nos bastidores, aliados do regime defendem uma retaliação com alguns dos mísseis de longo alcance do arsenal iraniano, como o Kheibar Shekan, teoricamente capaz de atingir o território ucraniano. — É uma manobra perigosa e teremos o direito de responder — disse o porta-voz da Chancelaria iraniana, Esmaeil Baghaei, nesta segunda-feira. — As consequências dessa ação podem se estender a diferentes partes do mundo, e os países que fazem fronteira com o Mar Cáspio estão preocupados com tais ações. No sábado, o governo ucraniano anunciou ataques contra navios que, segundo Kiev, transportavam equipamentos militares entre Rússia e Irã, incluindo uma embarcação iraniana. Embora Teerã alegue que não participa diretamente da guerra travada entre russos e ucranianos desde 2022, o país fornece drones e outros equipamentos empregados por Moscou no campo de batalha. Na semana passada, o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, ainda acusou a Rússia de fornecer dados de inteligência que permitiram ataques de precisão contra bases americanas no Bahrein, Jordânia e Kuwait.