Além dos R$ 17,3 bilhões incluídos no processo, varejista terá de negociar débitos com bancos, fundos e fornecedores, além de dívidas tributárias; passivo chega a R$ 28 bilhões 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Loja da Casas Bahia em Copacabana: segundo o CEO da empresa, Renato Franklin, unidades da rede que fecharam já 'estavam na UTI' — Foto: Fabiano Rocha Além dos R$ 17,3 bilhões em dívidas que constam no pedido de recuperação judicial protocolado na última semana, a Casas Bahia tem ainda outros R$ 11 bilhões em débitos não incluídos na reestruturação. Os valores extras são devidos principalmente a bancos, fundos de investimentos e fornecedores de eletrodomésticos que, em alguns casos, aparecem duplamente na lista de credores da varejista, ou seja, com valores a receber dentro e fora da recuperação. O montante extra é de débitos classificados como extraconcursais, dívidas que, por lei, não são sujeitas a pedidos de recuperação judicial. Para especialistas, o fato de se tratar de um montante expressivo torna a tentativa de reestruturação da companhia mais complexa. Na lista fora do alcance da recuperação há dívidas como R$ 4,1 bilhões devidos ao Bradesco (entre valores devidos diretamente ao banco e ao Digio, do mesmo grupo), R$ 2,4 bilhões a serem pagos ao Banco do Brasil, R$ 165 milhões à Whirpool (dona da Consul e da Brastemp) e R$ 140 milhões à fabricante Atlas. Não há detalhes sobre as faturas em aberto e os contratos entre esses credores e a Casas Bahia, mas o que a lei autoriza é que fiquem de fora da recuperação dívidas garantidas por cessão fiduciária de recebíveis. É o que explica a advogada Tatiana Flores, sócia do escritório LDCM Advogados. Neste modelo de operação, recorrente no varejo, um banco concede um financiamento, (ou um fornecedor entrega as mercadorias) e tem como garantia de pagamento a retenção de valores que a varejista tem a receber num determinado prazo. Por exemplo: um banco empresta R$ 10 milhões e a loja tem um fluxo de recebíveis de R$ 2 milhões por mês. O contrato de financiamento autoriza que uma determinada fatia desse fluxo mensal seja retido pela instituição financeira para garantir aquela operação de crédito. Crise nas Casas Bahia 1 de 19 Casas Bahia entra em recuperação judicial. Na foto, loja na Avenida Visconde de Pirajá, 161, Ipanema, fechada. — Foto: Fabiano Rocha / Agência O Globo 2 de 19 Casas Bahia entra em recuperação judicial — Foto: Fabiano Rocha / Agência O Globo X de 19 Publicidade 19 fotos 3 de 19 Vendedor das Casas Bahia de Bonsucesso troca o preço da TV, com desconto de mais de R$ 100 — Foto: Lucas Tavares/Agência O Globo 4 de 19 1998 - Problemas com alta de juros no mercado — Foto: Wania Corredo X de 19 Publicidade 5 de 19 Michael Klein, dono da Casas Bahia, na loja em Santa Cruz — Foto: Jorge William 6 de 19 2003 - Inauguração de loja da Casas Bahia na Rua do Catete, com ofertas e banda de música na porta — Foto: André Teixeira X de 19 Publicidade 7 de 19 Fabiano Augusto, o garoto-propaganda da Casas Bahia — Foto: Divulgação /e-mail 8 de 19 Fachada da Casas Bahia e do Ponto frio na Estrada do Cacuia, na Ilha do Governador — Foto: André Teixeira X de 19 Publicidade 9 de 19 Natal 2019 - Loja da Uruguaiana não teve movimento bom — Foto: BRENNO CARVALHO / AGÊNCIA O GLOBO 10 de 19 2021 - Natal Híbrido , centro de distribuição da Casas Bahia em Duque de Caxias — Foto: Domingos Peixoto / Agência o Globo X de 19 Publicidade 11 de 19 2003 - Casas Bahia com juros menores, na Tijuca — Foto: Ricardo Ayres 12 de 19 Michael Klein, CEO da Casas Bahia — Foto: Fabio Rossi X de 19 Publicidade 13 de 19 Garoto-propaganda da Casas Bahia — Foto: Divulgação / E Mail 14 de 19 2014 - Investimento do varejo em áreas próximas a comunidades. Inauguração da Casas Bahia em Ramos, no Complexo do Alemão — Foto: Leo Martins / Agência O Globo X de 19 Publicidade 15 de 19 2020 - Centro de Distribuição da Via Varejo . REABERTURA DESENCADEIA OPERAÇÃO LOGÍSTICA DE GUERRA NO VAREJO E INDÚSTRIA - Retomada gradual do comércio desencadeou uma operação de guerra na logística da indústria e no varejo — Foto: Edilson Dantas / Agência O Globo 16 de 19 Casas Bahia entra em recuperação judicial. Na foto, loja na Avenida Nossa Senhora de Copacabana, 796 , fechada. — Foto: Fabiano Rocha / Agência O Globo X de 19 Publicidade 17 de 19 Loja na Avenida Visconde de Pirajá, 161, Ipanema, fechada. — Foto: Fabiano Rocha / Agência O Globo 18 de 19 Casas Bahia em 1999 — Foto: Gabriel de Paiva/Agência O Globo X de 19 Publicidade 19 de 19 Casas Bahia em 2002 — Foto: André Teixeira A relação de débitos fora da recuperação da Casas Bahia ainda inclui R$ 1 bi de ICMS e R$ 49 milhões em PIS/Cofins. Créditos tributários são naturalmente classificados como extraconcursais. Caso a perícia conclua que os valores estão corretos e aceite o pedido de recuperação, os R$ 17,3 bilhões devidos a cerca de 28 mil credores serão negociados seguindo o passo a passo de renegociação em juízo. A empresa terá que apresentar um plano de recuperação, com propostas de pagamento e desconto nos valores das dívidas. A proposta deve ser votada em assembleia de credores e, depois de aprovada, os pagamentos começam. Mas com valores a serem renegociados dentro e fora do processo, a reestruturação ganha outros contornos. Na ponta do lápis, a varejista deverá reorganizar um passivo de R$ 28 bilhões. A empresa foi procurada, mas não respondeu. — A reestruturação terá de acontecer em duas frentes: dentro da recuperação judicial, com redução do endividamento e obtenção de novo dinheiro, e fora dela, por meio da negociação paralela com credores extraconcursais — ressalta Fabiana Solano, sócia de Reestruturação e Insolvência no Feslberg Advogados. Entre os 28 mil credores incluídos na RJ, há nomes que também estão entre os extraconcursais. Caso do Banco do Brasil, Bradesco e BTG, e da Whirpool, por exemplo. Para Tatiana, a capacidade de a Casas Bahia chegar a um acordo também com os credores extraconcursais será importante para dar credibilidade ao próprio futuro plano de recuperação judicial: — Se o credor tem como garantia os recebíveis da companhia, a sobrevivência da empresa também é de interesse do credor. Não é raro que credores titulares de créditos dentro e fora da RJ sejam aderentes ao plano de recuperação. Isso, inclusive, traz uma segurança para os demais credores de que o plano que está sendo proposto é viável do ponto de vista econômico-financeiro.