Uma ideia que circula com frequência em uma parte da sociedade, especialmente naquela que se identifica ideologicamente mais à direita da direita, é a de que a desigualdade é pouco relevante. O verdadeiro desafio seria a pobreza.
Se aqueles que estão na base conseguem melhorar de vida, pouco deveria contar quanto ganharam aqueles que estão no topo. Nessa visão, falar demais sobre a distância entre ricos e pobres seria uma forma de inveja.
Será?
A intuição por trás desse argumento contém algo interessante. Uma sociedade na qual todos possuem rendas semelhantes e são pobres dificilmente é preferível a outra mais desigual e mais próspera. Também seria estranho condenar o enriquecimento de alguém que criou uma empresa produtiva apenas porque sua renda cresceu mais rapidamente que a dos demais. Economias de mercado produzem diferenças e a disposição para assumir riscos deveria ser recompensada.
O salto equivocado aparece ao concluir que, por isso, a desigualdade não é relevante.








