A pobreza tem muitos inimigos e a preguiça costuma ser o mais conveniente deles.

Segundo o Datafolha, a parcela de brasileiros que associa a pobreza à "preguiça de pessoas que não querem trabalhar" saiu de 22% em 2022 para 40% em 2026. No mesmo período, caiu de 76% para 58% a fatia dos que apontam a falta de oportunidades iguais como explicação principal.

E a resposta mais curta e direta que posso dar à pergunta sobre se é a preguiça que causa a pobreza é: dificilmente.

O esforço individual tem um papel importante, só que ele é relevante dentro de uma estrutura de oportunidades semelhantes. Economistas gostam de separar os fatores que dependem da escolha individual daqueles que chegam antes da escolha. Local de nascimento, renda da família e cor da pele, por exemplo, chegam à vida da pessoa muito antes de qualquer esforço dela. Chamar essas heranças de mérito é forçar a mão.

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