Para quem a via de fora, Therezinha era uma avó fofinha. Tinha cabelos de algodão e olhar sereno. Gostava de passear, de comer bem e, sobretudo, de se fazer presente. Mas quem a conhecia sabia que elogios como "lindinha" não a agradavam muito.

De família alagoana, cresceu em Maceió ao lado dos irmãos e, aos 22 anos, mudou-se para a capital paulista. Filha do major Rijo e de Ismenia, conheceu Paulo Furtado aos 29 anos, em um baile de Carnaval no Palmeiras. Por isso, apesar do marido santista, se dizia palmeirense.

Juntos, mesmo diante dos percalços da vida, tiveram quatro filhos —Thelma, Yara, Paula e Marcelo— e permaneceram juntos até a partida de Paulo, no fim dos anos 1990.

Como mãe, Therezinha foi rígida. Cobrava dos filhos bons resultados na escola e organização. Com os netos, a rigidez deu lugar a uma avó mais carinhosa —embora houvesse limites: temia que os meninos quebrassem os vasos quando brincavam de bola no quintal e não gostava quando a bola acabava na casa da vizinha.

Com as netas, tinha seus próprios jeitos de demonstrar carinho. Estalava-lhes os dedos dos pés e fazia cafuné à sua maneira. Foram sete netos ao todo, tantos que, vez ou outra, Therezinha se atrapalhava com os nomes. Albieri, um dos cachorros que teve ao longo da vida, às vezes entrava na confusão e acabava chamado pelo nome de um dos netos —ou vice-versa.