A ministra do STF (Supremo Tribunal Federal) Cármen Lúcia compara os vídeos de IA (inteligência artificial) que imitam pessoas, os deepfakes, à famosa foto do então eleito presidente Tancredo Neves sentado em uma poltrona, cercado por seus médicos no hospital de Brasília, em março de 1985.
Tancredo estava doente e viria a morrer 27 dias depois, antes de assumir o cargo. O objetivo da imagem era tranquilizar os eleitores sobre a saúde do mandatário. A foto foi autorizada pelo político.
Em entrevista ao episódio de estreia do podcast "A Máquina", série da Folha publicada pelo Café da Manhã durante o período eleitoral, a ministra rejeita a tese de deepfake "do bem". Para ela, ainda que um vídeo de IA não tenha como objetivo ofender alguém, seja autorizado e não contenha nenhuma mentira, ainda é um deepfake —vedado, portanto, pela regra do TSE (Tribunal Superior Eleitoral).
É o caso do vídeo de Jair Bolsonaro exibido na convenção do PL. A peça é alvo de ação do PT, e será julgada em breve pelo TSE. "Isto é falso, foi criado por uma máquina para passar uma mensagem", disse Cármen, com a ressalva de que não opinava diretamente sobre esta ação.
"Trata-se de algo que não aconteceu e pode mudar o comportamento do eleitor", diz a magistrada, relatora da resolução do TSE de 2024 que vedou os deepfakes.














