Toda vez que a minha filha precisa se despedir da avó paterna, que mora no Rio de Janeiro, passa alguns dias tristíssima e pede para dormir abraçada comigo.
Também resmunga chorosa quando a minha mãe vai embora, mas sabe que pode revê-la logo, pois moramos perto. No último domingo, ainda com saudades da avó carioca, disse o seguinte: "Pede pro papai demorar um pouco, quando eu fico assim eu preciso de mulher".
Achei a frase "eu preciso de mulher" curiosa, um tanto deslumbrante, e quis explorar mais sentidos possíveis. Então ela explicou que adora estar com o pai, os meninos da escola, os avôs, mas que estar entre mulheres, fosse eu, as avós, a madrasta ou as amiguinhas da mesma idade, dava a ela uma sensação mais parecida com "descansar no sofá, tomando leite com chocolate e ganhando massagem no pé".
Sempre me senti mais radiante e aconchegada na presença de mulheres, e a maturidade ainda me mostrou como seria inviável atravessar demissões, divórcios e lutos sem estar cercada por elas.
Pensando nisso, topei participar de um evento criado por e para mulheres. Diante de uma plateia formada por jovens meninas iniciando suas carreiras, eu e outras colegas, com profissões variadas, precisávamos contar um pouco sobre nossas experiências profissionais.






