Dia 9 de maio de 2026, às 11 horas da noite. Lembro da data e hora exatas porque esperei por esse dia e hora por muito tempo. Quase oito anos, para ser mais exata.
Sei também o local e a posição em que nós dois nos encontrávamos, deitados na cama do quarto de hotel em Ilha Grande, ele com a cabeça no travesseiro e as costas no colchão, eu de bruços, com os cotovelos dobrados e os punhos cerrados segurando a cabeça que olhava para ele me olhando de volta.
As cervejas ainda circulavam pelas veias, a comida já tinha assentado no estômago, os aparelhos celulares se encontravam em algum lugar fora do alcance das mãos. No ar, ouvia-se apenas o barulho dos sapos, das cigarras e de nós mesmos, concatenando pensamentos a partir de palavras, tomando em doses generosas esse que é o maior afrodisíaco que conheço: o diálogo.
Foi neste contexto magicamente banal, envolta pelo manto aconchegante do descanso, que senti, depois de oito anos, minha libido dar o ar da graça novamente. Não entrarei em detalhes do que se passou durante as horas seguintes de modo a não ruborizar os leitores mais sensíveis, mas, pela primeira vez em muito tempo, dormi o sono tranquilo daqueles que são capazes de desejar e de terem seus desejos saciados.













