As ondas de calor ada vez mais frequentes e intensas afetam todo o planeta, mas a população das periferias de grandes cidades enfrenta um sofrimento maior. Um problema grave nas áreas pobres de São Paulo é o material de construção utilizado nas moradias, como telhados de zinco, amianto e fibrocimento ou paredes feitas com madeirite.

Eles fazem com que a temperatura interna das casas passe facilmente de 30°C nos dias quentes, criando um ambiente propício para a propagação de doenças e causando mais mortes do que os deslizamentos de terra, por exemplo.

Uma iniciativa da Universidade de Michigan em parceria com duas organizações locais do movimento dos sem-teto, a ULCM (Unificação das Lutas de Cortiços e Moradias) e a UMM/SP (União dos Movimentos de Moradia em São Paulo) visa amenizar esse drama com recursos tecnológicos.

O local escolhido para tornar as casas mais frescas foi a ocupação Estrela de Davi, em Aricanduva, na zona leste de São Paulo, onde moram 1.183 pessoas. A solução adotada, com votação e aprovação da comunidade, foi a pintura dos telhados com tinta thermoshield, revestimento que reflete 92% dos raios solares e reduz o calor do ambiente em até 30%.

"O conforto térmico é influenciado pelo telhado, pela parede e pela circulação de ar", diz a professora associada de planejamento urbano da Universidade de Michigan, Ana Paula Pimentel Walker, que coordena o projeto. "Com a pintura será possível baixar a temperatura interna em 5°C.