Uma terceira onda de calor ronda a Europa. Altas temperaturas já haviam acendido um alerta em maio e causado estragos entre 20 e 28 de junho. Segundo relatório recente do World Weather Attribution, essa segunda onda de calor foi a mais severa desde 1950 em 18 das 19 capitais analisadas.

Em 2003, fenômeno similar matou cerca de 70 mil pessoas na região. O aquecimento global, causado pela queima de combustíveis fósseis, tem intensificado os eventos climáticos.

O estudo da WWA aponta que, há 50 anos, uma onda de calor como a do final de junho teria 3,5°C a menos; e, há 23 anos, as chamadas noites tropicais —quando os termômetros se mantêm acima dos 20°C após o pôr do sol— que viraram rotina em Reino Unido, Espanha e França teriam um centésimo da probabilidade atual.

O evento de 2003 incentivou conscientização popular e mobilização governamental, mas há muito a ser feito para que o continente acostumado ao frio se adapte a temperaturas que, em alguns países, superaram 40ºC.

As temperaturas na Europa subiram cerca de 0,56°C por década nos últimos 30 anos, mais que o dobro da média global. Mesmo assim, estima-se que apenas 20% das edificações da região tenham ar-condicionado; no Reino Unido, não se chega a 5%.