Enquanto uma onda de calor atravessa o país e o resto do continente europeu neste final de Maio, um novo relatório da Organização Meteorológica Mundial (OMM) vem reforçar o que muitos já sentem na pele: os próximos anos deverão trazer mais recordes de temperatura — e a Europa está entre os territórios mais expostos. Existe uma forte probabilidade de quebrar muito em breve (com a ajuda de um forte El Niño) o recorde de 2024, quando registámos o ano mais quente de sempre.De acordo com a mais recente Actualização Climática Global Anual a Decenal (2026-2035), “as temperaturas médias globais deverão continuar em níveis próximos ou mesmo ao nível de recordes no período de cinco anos entre 2026 e 2030”.O impacto não será uniforme. A Europa, e particularmente o sul do continente, surge como uma das regiões mais vulneráveis. O relatório da OMM indica que “a temperatura média global anual à superfície para cada ano entre 2026 e 2030 deverá situar-se entre 1,3°C e 1,9°C acima da média do período 1850-1900”.

Mais significativo ainda, segundo a OMM, é a probabilidade de novos máximos: há 86% de probabilidade de que “pelo menos um ano entre 2026 e 2030 estabeleça um novo recorde anual”, ultrapassando 2024 como o ano mais quente de que há registo.“As temperaturas à superfície em 2025 foram superiores à média de longo prazo quase em todo o território terrestre, com anomalias de calor particularmente elevadas na Europa”, constatam os cientistas no documento divulgado esta quinta-feira. Os cientistas da OMM já tinham avisado: a Europa é o continente da Terra que está a aquecer mais depressa, cerca de duas vezes mais depressa do que a média global.A onda de calor que actualmente sufoca a Europa surge já na Primavera e confirma uma tendência clara: os extremos meteorológicos estão a antecipar-se no calendário.Combinação explosiva para PortugalAs projecções apontam para um reforço deste padrão. Como refere a OMM, “os padrões de temperatura previstos para os anos de 2026 a 2030 mostram uma elevada probabilidade de temperaturas acima da média de 1991-2020 em quase todo o lado”.“É muito provável (91% de probabilidade) que a temperatura média global à superfície exceda temporariamente 1,5°C acima dos níveis médios de 1850-1900 durante pelo menos um ano entre 2026 e 2030. Este nível também foi temporariamente excedido em 2024, quando a temperatura média global à superfície se situou cerca de 1,55°C acima da linha de base pré-industrial”, referem os cientistas.