Massa de ar quente elevou temperaturas muito acima da média em países da Europa Ocidental Ingleses na praia em meio ao calor que atinge a Europa — Foto: Daniel LEAL / AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 26/05/2026 - 11:47 Onda de Calor Histórica Atinge Europa Ocidental e Alerta Cientistas Uma onda de calor histórica atingiu a Europa Ocidental em maio, com temperaturas até 15°C acima da média. França, Reino Unido, Espanha e Portugal enfrentam riscos à saúde, incêndios e interrupções de serviços. O fenômeno, causado por uma "cúpula de calor", levou a recordes de temperatura e mortes. Cientistas alertam para a influência das mudanças climáticas no aumento de eventos extremos. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Uma onda de calor fora de época elevou as temperaturas a níveis históricos em diferentes partes da Europa Ocidental e colocou autoridades de França, Reino Unido, Espanha e Portugal em alerta para riscos à saúde. Impulsionado por uma forte “cúpula de calor” — sistema de alta pressão que aprisiona o ar quente sobre o continente — o fenômeno levou cidades europeias a registrar marcas até 15 °C acima da média para o fim da primavera e já foi associado a mortes, incêndios e interrupções em serviços públicos. O Reino Unido viveu nesta terça-feira o dia de maio mais quente desde o início das medições meteorológicas no país. Segundo o Met Office, os termômetros chegaram a 35 °C em Londres, superando o recorde anterior de 34,8 °C registrado apenas um dia antes. A marca histórica de 32,8 °C, que permanecia desde 1922 e havia sido igualada em 1944, foi ultrapassada por mais de 2 °C. A capital britânica também registrou uma rara “noite tropical”, quando as temperaturas não caem abaixo dos 20 °C durante a madrugada. Em uma cidade pouco adaptada ao calor extremo, passageiros enfrentaram vagões de metrô sem ar-condicionado e houve relatos de falta d’água em regiões do sudeste da Inglaterra devido ao aumento do consumo. — Embora ocasionalmente tenhamos períodos quentes em maio, o que estamos vendo agora é sem precedentes — afirmou Stephen Dixon, porta-voz do Met Office. Calor antecipado pressiona sistemas de saúde e amplia risco de incêndios e afogamentos Na Escócia, bombeiros passaram a madrugada combatendo um incêndio em vegetação próximo a Arthur’s Seat, colina que domina a paisagem de Edimburgo. As altas temperaturas também coincidiram com uma série de afogamentos. Autoridades britânicas relataram a morte de ao menos três adolescentes em lagos e reservatórios, além de um homem de 60 anos encontrado morto no mar no sudoeste da Inglaterra. Na França, o cenário também provocou alertas inéditos para esta época do ano. A Météo-France informou que diversas regiões enfrentam temperaturas “sem precedentes para a temporada”, sobretudo no sudoeste do país. Nantes registrou entre 34 °C e 35 °C, quebrando recordes locais para maio, enquanto Paris deve alcançar os 32 °C nos próximos dias. O serviço meteorológico francês afirmou que o calor é provocado por uma massa de ar quente vinda do Norte da África, associada a uma área persistente de alta pressão atmosférica. Segundo o órgão, as máximas e mínimas ficaram mais de 10 °C acima do normal em várias regiões. — Tanto as temperaturas máximas quanto as mínimas deverão atingir níveis sem precedentes para a temporada em diversas regiões — informou a Météo-France. O governo francês afirmou que ao menos sete mortes podem ter relação direta ou indireta com o calor, incluindo cinco afogamentos e dois casos registrados durante competições esportivas. Em Paris, um homem de 53 anos morreu após sofrer uma parada cardíaca durante uma corrida no domingo. Em Lyon, uma mulher morreu durante um evento esportivo da modalidade Hyrox. Na Espanha, a Agência Estatal de Meteorologia (Aemet) alertou que o país enfrenta temperaturas típicas de julho e agosto ainda em maio. Sevilha chegou aos 38 °C no fim de semana, enquanto áreas do interior devem se aproximar dos 40 °C nos próximos dias. — Encontramo-nos com temperaturas que normalmente vemos em pleno verão agora no mês de maio — afirmou o porta-voz da Aemet, Rubén del Campo. Portugal também permanece sob avisos meteorológicos devido ao calor intenso, principalmente no interior do país, onde os termômetros se aproximam dos 40 °C. Autoridades portuguesas alertaram para o risco elevado de incêndios florestais e reforçaram orientações para hidratação e redução da exposição ao sol. Meteorologistas europeus associam o episódio a uma “cúpula de calor”, fenômeno em que uma área de alta pressão funciona como uma tampa atmosférica, aprisionando o ar quente e impedindo a entrada de massas mais frias. Cientistas afirmam que as mudanças climáticas aumentam a frequência, intensidade e duração desses eventos extremos. — Sabemos, sem qualquer dúvida, que ondas de calor como esta se tornaram mais prováveis e mais severas por causa das mudanças climáticas — afirmou Peter Thorne, diretor do Centro de Pesquisa Climática Icarus, da Universidade Maynooth, na Irlanda. Segundo pesquisadores europeus, o continente é hoje o que aquece mais rapidamente no planeta. Dados recentes apontam que mais de 62 mil pessoas morreram por causas relacionadas ao calor na Europa em 2024, o ano mais quente já registrado globalmente.