Em julho de 2024, o Tribunal de Contas do Estado perguntou ao governo de São Paulo por que a bilhetagem do transporte metropolitano nunca foi licitada. A gestão de Tarcísio de Freitas respondeu que o modelo se apoia em estudos técnicos e jurídicos e que não pretende alterá-lo. A resposta está nos autos, e é o centro desta história: não é vício herdado e não percebido, mas decisão registrada.

O que o governo decidiu manter é isto. Quem administra o dinheiro das passagens do Metrô, da CPTM e da EMTU é a Abasp, associação criada em outubro de 2019 pelas próprias empresas de ônibus. Em 27 de abril de 2020, sem licitação, ela contratou a Autopass, do cartão TOP, para operar o sistema. Dos 24 associados fundadores, 14 têm controladores ou partes relacionadas na estrutura societária da contratada. Houve período em que o mesmo dirigente presidia a associação e era sócio do fundo de investimentos da contratada.

Segundo a própria companhia, o sistema movimentou quase 5 bilhões de reais desde 2020. Quanto a associação lhe paga para operá-lo, ninguém sabe: há cláusula de confidencialidade. Suas demonstrações financeiras registram receita de serviços de 220,1 milhões de reais em 2025, dos quais 73% vêm do contrato com a associação, diz nota da auditoria.