O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, acusou a greve de ferroviários em seu estado, já encerrada, de política. Greves são políticas em sentido amplo e essa característica pode se acentuar em períodos eleitorais. Na disputa, acusações sempre aparecem.
O fato é que o movimento teve uma dimensão trabalhista. Por outro lado, não há dúvida de que certas concessões e privatizações em curso em São Paulo se enquadram bem no rótulo de políticas —ainda que mal feitas.
No afã de cunhar uma marca eleitoral e ganhar pontos com o empresariado e a opinião pública antipetista, Tarcísio —recente anfitrião do presidente da Argentina, o libertário Javier Milei— vem contribuindo para o questionamento do dogma liberal que afirma ser sempre preferível privatizar, pois aquilo que a iniciativa privada for capaz de fazer, fará melhor do que o setor público.
Não é bem isso que vemos em São Paulo. O exemplo mais candente são justamente as privatizações das linhas 11-coral, 12-safira e 13-jade da CPTM, concedidas à empresa Trivia Trens, no fim de junho.
Falhas gritantes, entre as quais um grave incêndio na linha 12, levaram o governador a cancelar a concessão por 90 dias, recolocando os ramais sob controle da companhia de trens do estado. Difícil imaginar um recibo de incompetência técnica e motivação política mais evidente do que esse recuo.











