O governador de São Paulo, Tarcisio de Freitas — Foto: Pablo Jacob/Governo do Estado de SP O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, afirmou nesta quarta-feira (22) que houve "fracasso" da diplomacia brasileira e "acomodação" por conta de um possível "ganho eleitoral" em relação ao tarifaço do governo americano imposto aos produtos brasileiros. O governador também disse que "não adianta" levar essa nova sobretaxa americana "para o lado eleitoral. Nem para um lado, nem para o outro". "Nós tivemos um fracasso aí, um fracasso em termos de negociação. Nós tivemos um fracasso diplomático. Nós temos uma diplomacia competente, [mas] uma diplomacia competente não tem um fracasso na negociação. Então, isso [o tarifaço] tem que ser resolvido agora. Não adianta levar isso para o lado eleitoral. Nem para um lado, nem para o outro. A gente tem empresas que estão sendo prejudicadas", afirmou Tarcísio a jornalistas em evento promovido pelo veículo BandNews TV. O governador também disse que faltou "negociação" e houve "acomodação" por um possível "ganho eleitoral". "Faltou negociação, porque veja, a gente está com a espada da Seção 301 [investigação que resultou na tarifa de 25%] na cabeça, né? E, de repente, há uma acomodação: 'Olha, posso ter um ganho eleitoral com isso, não vamos fazer'", continuou o governador de São Paulo. A manifestação de Tarcísio ocorre no primeiro dia de vigência da tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, medida anunciada pelo governo de Donald Trump e que passou a valer nesta quarta-feira (22). Esta é a primeira manifestação pública do governador sobre o tema desde que o governo americano confirmou, na semana passada, a entrada em vigor da sobretaxa. Apesar das críticas, o governador também elogiou a atuação do Ministério das Relações Exteriores ao afirmar que o órgão adotou a estratégia correta ao manter as negociações com os Estados Unidos. "É uma correta orientação do Ministério das Relações Exteriores", afirmou. Tarcísio ressaltou ainda que a medida afeta diretamente a economia brasileira e, em especial, a paulista, devido ao peso do agronegócio e da indústria de máquinas e equipamentos no Estado. Questionado sobre quais medidas o governo paulista poderá adotar para apoiar as empresas afetadas pela sobretaxa, Tarcísio afirmou que pretende repetir a estratégia utilizada no ano passado, quando o Estado antecipou a liberação de créditos de ICMS para exportadores. Segundo ele, a iniciativa deu previsibilidade ao fluxo de caixa das empresas e poderá voltar a ser adotada. As declarações indicam uma mudança de tom do governador em relação ao tarifaço. Se, nas primeiras manifestações sobre o tema, Tarcísio concentrou as críticas na decisão do governo americano e cobrou uma reação do governo federal, desta vez o governador passou a enfatizar a necessidade de manter as negociações diplomáticas e elogiou a condução do Ministério das Relações Exteriores. Na última vez em que comentou o tema, no início de junho, quando os EUA ainda anunciavam a intenção de aplicar a tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, Tarcísio tinha direcionado as críticas a Washington. Na ocasião, afirmou que a medida era resultado de uma "investigação muito ampla, que pega várias questões em que os Estados Unidos não são referência nem exemplo", citando temas como combate ao desmatamento, direitos de propriedade intelectual e restrições a empresas de tecnologia. "Como é que os Estados Unidos vão cobrar de alguém e vão falar de desmatamento? Observe o que nós fazemos e o que eles fazem. Isso não faz o menor sentido", tinha dito Tarcísio naquele momento. O governador também tinha avaliado que a iniciativa americana contrariava os princípios do livre mercado e que a adoção da sobretaxa ia na contramão daquilo que classificou como a "linha da prosperidade americana ao longo do tempo".
Tarcísio diz que ‘não adianta levar tarifaço para o lado eleitoral’
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