O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou que a aplicação de tarifa de 25% sobre produtos brasileiros pelos Estados Unidos prejudica a economia do Brasil e vai exigir negociação para evitar que entre em vigor no prazo previsto - segundo governo americano, 15 de julho. Em entrevista coletiva durante evento nesta terça-feira (2), o aliado da família Bolsonaro cobrou a gedstão de Luiz Inácio Lula da Silva para que tente um acordo com o governo Donald Trump. Leia mais: "A gente recebe com muita preocupação essa possibilidade de um novo tarifaço. É algo que prejudica o Brasil, empresas brasileiras, empregos brasileiros, o agronegócio, a indústria", disse Tarcísio, após inauguração da duplicação de uma rodovia, na região de Araras. No ano passado, o governador foi criticado por endossar o tarifaço de 50% dos EUA e recuou após cobranças de representantes do setor produtivo paulista, que reclamaram de perdas. O presidenciável Flávio Bolsonaro (PL), que esteve com Trump na semana passada, procurou se distanciar do caso, justificando que pediu expressamente para o americano não taxar os produtos nacionais. Tarcísio não se manifestou sobre eventual influência da visita do senador sobre a sanção, mas reiterou seu apoio a ele na eleição para a Presidência. O governador criticou a nova decisão americana, dizendo que a proposta da taxa de 25% é resultado de uma "investigação muito ampla, que pega várias questões em que os Estados Unidos não são referência nem exemplo", como combate ao desmatamento, direitos de propriedade intelectual e limitações a empresas de tecnologia. "Como é que os Estados Unidos vão cobrar de alguém e vão falar de desmatamento? Observe o que nós fazemos e o que eles fazem. Isso não faz o menor sentido", disse Tarcísio. Ele considerou ainda que a medida vai na contramão do princípio do mercado livre, que serviu de base para a "linha da prosperidade americana ao longo do tempo". Na visão do governador, o assunto "vai demandar agora um esforço da diplomacia brasileira" para "defender o interesse nacional" e identificar que razões levaram à aplicação da medida. Lula e aliados atribuíram a decisão da gestão Trump às articulações de Flávio e do irmão Eduardo Bolsonaro em território americano, no contato com integrantes da Casa Branca. "A gente espera que haja uma orientação firme do governo federal à nossa diplomacia, e que eles possam estabelecer as conversas, entender quais são os interesses por trás de uma medida dessa — porque uma medida dessa carrega interesses por trás —, e que eles possam sentar à mesa, negociar e defender o interesse nacional", afirmou o governador de São Paulo. Tarcísio critica Lula para explicar apoio a Flávio Na sequência, Tarcísio fez uma série de críticas ao governo Lula, para explicar seu apoio a Flávio, mesmo após a revelação das conversas entre o senador e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, episódio que trouxe um revés para a pré-campanha do bolsonarista nas pesquisas de intenção de voto. "Ele [Flávio] está dando as explicações, já foi a público mais de uma vez explicar o contexto da procura dele e as circunstâncias. Eu entendo que, cada vez que um elemento desse vier a público, ele tem que explicar sim, porque é um caso que agride a sociedade. Não podemos tolerar corrupção e estamos diante de uma das maiores fraudes bancárias da nossa história", disse. O governador afirmou, no entanto, que a prioridade neste momento é "defender um projeto para o Brasil que contraste com o projeto do PT", e citou questões como o alto endividamento das famílias e a carga tributária elevada no país. "A gente está indo mal e precisa virar a chave. E o Flávio, hoje, lidera um projeto para essa virada de chave. Então, a gente está defendendo sobretudo esse projeto de mudança, e é nesse projeto em que a gente acredita."