Embora tenha sido eleito com o apelido de "Tarcisão do Asfalto" e feito das batidas de martelo na Bolsa uma de suas marcas, Tarcísio de Freitas (Republicanos) acumula resultados numéricos no setor de concessões de rodovias mais tímidos do que outros políticos, colocando em xeque a exposição de uma de suas principais bandeiras eleitorais.

À frente da pasta da Infraestrutura do governo Jair Bolsonaro (PL), de 2019 a 2022, Tarcísio leiloou cinco concessões, com uma malha de cerca de 3.100 km de estradas. Quando deixou o cargo para disputar o governo paulista, seu sucessor, Marcelo Sampaio, leiloou um sexto projeto, elevando o total do período para cerca de 3.900 km de rodovias concedidas.

No atual mandato do governo Lula (PT), o Ministério dos Transportes, comandado até abril deste ano por Renan Filho (MDB), realizou 23 leilões rodoviários, com 10 mil km de estradas. O governo federal ainda prevê novas rodadas de oferta de trechos ao mercado até dezembro deste ano. Se nenhum dos leilões for adiado, o total deve superar 14 mil km —mais que o triplo do registrado na gestão Tarcísio/Sampaio.

Como governador em São Paulo, Tarcísio realizou mais leilões rodoviários do que as gestões de João Doria (sem partido) e Rodrigo Garcia (Republicanos), entre 2019 e 2022. Foram seis certames do atual governador, ante dois dos antecessores. A soma da malha repassada às concessionárias por Tarcísio, contudo, é menor do que a transferida à iniciativa privada pelo governo estadual anterior.