Senador do PL se apresenta como parte do campo da direita e defende a continuidade do projeto político de Jair Bolsonaro 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Flávio Bolsonaro — Foto: Pablo Jacob/Agência O Globo O candidato a presidente da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se identifica politicamente com a direita e, em diferentes momentos, associou sua atuação ao campo conservador e ao projeto político de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. “Hoje ele é filiado ao Partido Liberal (PL), uma legenda que concentra a maior bancada de direita e de extrema-direita hoje. Antes disso, ele foi do Partido Social Cristão (PSC), do Progressistas (PP) e do Partido Social Liberal (PSL), todos partidos à direita do espectro político”, lembra Rodrigo Prando, cientista político e professor de Sociologia da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Procurado pelo Valor, o candidato não se manifestou. O espaço segue aberto. As próprias falas de Flávio ajudam a identificar como ele descreve seu posicionamento político. "Suas posições também são são tradicionalmente associadas à direita conservadora. Por exemplo, ele é contrário à legalização do aborto, ele defende a família nuclear tradicional como valor central, é crítico da chamada ideologia de gênero e também dessas agendas identitárias, defende o armamentismo e o endurecimento penal. Posições que o ligam ao campo da direita”, alega o especialista. Campanha Presidencial Uma associação mais direta de Flávio com o campo da direita aparece na campanha presidencial para 2026, o senador passou a defender a união desse grupo para enfrentar o Partido dos Trabalhadores (PT) e Lula. Em suas redes sociais, Flávio recorre frequentemente à imagem de seu pai. “É um legado do presidente Bolsonaro, ele conscientizou as pessoas de que é importante um presidente da república que tenha uma mentalidade como a nossa, de direita, e deputados e senadores alinhados como presidente no congresso nacional”, afirmou em vídeo publicado pelo perfil oficial do PL no Instagram. Em uma publicação no seu perfil pessoal, Flávio Bolsonaro defendeu a união da direita em torno do que chamou de um objetivo comum: “o nosso povo”. Na mensagem, o senador afirmou que seria necessário “salvar o país das mãos da esquerda e do PT” e pediu que cada integrante do grupo político “faça a sua parte”. Segurança pública e modelo Bukele Flávio Bolsonaro elogiou o “modelo Bukele” de segurança pública em uma entrevista ao podcast Inteligência Ltda. transmitido ao vivo em 6 de abril de 2026. O candidato afirmou ter visitado El Salvador para conhecer as políticas de segurança implementadas pelo presidente do país, Nayib Bukele, e destacou a criação do “crime de pertencimento” a organizações criminosas. "Eles criaram o crime de pertencimento a uma organização criminosa. O simples fato de pertencer a uma organização criminosa já configura crime", alegou. Ao comentar a identificação de integrantes de facções, afirmou que as tatuagens dos indivíduos ajudavam. “Lá, quando você via gotinhas no rosto do vagabundo, cada gota era um policial que ele matou. Havia também tatuagens que identificavam a qual grupo ele pertencia." Flávio também rebateu críticas à adoção de medidas inspiradas no modelo salvadorenho. "Quem tem que ter medo disso [da 'bukelização' do Brasil] são os vagabundos. Os defensores dos direitos humanos têm que entender que precisamos defender os direitos humanos das vítimas." Em outro momento, relatou uma conversa com autoridades de El Salvador: "Eu perguntei ao ministro da Justiça de El Salvador como foi a reação do ‘pessoal dos direitos humanos’. Eles ‘chiaram’ - disse ele - ‘mas nós tínhamos a legitimidade da população, porque eles elegeram o Bukele para isso’. Então isso é algo que eu vou trazer na minha pré-campanha e na campanha. Se o brasileiro escolher esse caminho, é isso que eu vou fazer", alegou Flávio. Mega operação no Rio de Janeiro (2025) Na mesma entrevista, o candidato também comentou sobre a megaoperação policial no Rio de Janeiro em outubro de 2025 e elogiou a atuação da polícia. "A polícia fez um trabalho bem-feito, exemplar. Foram cumprir dezenas de mandados de prisão e de busca e apreensão naquela localidade. Foi na madrugada, houve um tiroteio no meio de um matagal. Houve confronto. Felizmente não teve nenhum inocente morto, infelizmente policiais foram baleados. Mas foram neutralizados mais de 120 marginais. Para mim, foi uma operação que tinha que ter mais 200 dessas para começar a dar jeito", comentou. Ideologia de gênero Durante o podcast, uma pergunta de um dos internautas expectadores do programa indagou Flávio sobre supostas falas homofóbicas que o candidato teria feito. Flávio retrucou dizendo que nunca foi homofóbico e que sua "briga", na verdade, “sempre foi com a doutrinação de crianças em sala de aula”. Na sua visão, as escolas estariam “querendo induzir crianças a mudar de sexo”. “Querem fazer a criança acreditar que o sexo é uma construção social, que quem nasceu menino pode se transformar em menina”, alegou. Flexibilização da posse de armas Em entrevista ao jornal O Globo durante a campanha de 2018, com um discurso alinhado ao de seu pai, o então deputado estadual, que era candidato do PSL ao Senado na época, defendeu a ampliação do acesso às armas por cidadãos. Questionado se mais armas em circulação não facilitariam o acesso dos criminosos a elas, respondeu: “isso é uma falácia. Mais armas nas mãos de pessoas de bem, além de garantir o direito à vida e à defesa de suas propriedades, têm reflexo na segurança pública. Hoje, o marginal faz o que faz porque tem a convicção de que não vai encontrar resistência na rua", disse o candidato. *Estagiário sob supervisão de Diogo Max