Cerco em Qusra gera críticas até do embaixador dos EUA em Israel, defensor da presença dos colonos na Cisjordânia 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Soldados israelenses patrulham rua durante operação na vila de Qusra, na Cisjordânia ocupada, em 13 de agosto de 2026 — Foto: Zain Jaafar/AFP Desde a eclosão da guerra no Irã, Guga Chacra escreve newsletter diária com informações e análises exclusivas. Clique aqui para se inscrever. O embaixador dos EUA em Israel, Mike Huckabee, chamou um grupo de colonos israelenses de “terroristas”. A declaração pode surpreender quem conhece o representante norte-americano em Jerusalém, afinal ele é um árduo defensor dos assentamentos ilegais de Israel na Cisjordânia, um território considerado palestino pela comunidade internacional. Mas, para entender o contexto, precisamos recuperar os últimos acontecimentos em uma pequena vila palestina chamada Qusra. Posto avançado – Qusra é um pequeno vilarejo, com algumas centenas de habitantes, próximo a Nablus, uma das mais importantes e históricas cidades palestinas. No domingo, colonos israelenses de um “posto avançado” nas proximidades da cidade cercaram duas casas distantes do centro local, com atitudes violentas contra famílias palestinas, que incluíram o lançamento de pedras e o corte de eletricidade e de acesso a água e comida. Assentamentos – “Postos avançados” são assentamentos sem reconhecimento formal das autoridades israelenses. Basicamente, os colonos chegam a algum lugar da Cisjordânia com alguns trailers e decidem ficar. São diferentes dos assentamentos considerados oficiais por Israel, que são verdadeiras cidades — alguns lembram condomínios fechados, como Alphaville nos subúrbios de São Paulo. Para deixar claro, tanto os postos avançados quanto os assentamentos são considerados ilegais pela comunidade internacional, por se localizarem dentro do território palestino. Acordos de Oslo – Cerca de 700 mil colonos israelenses vivem ilegalmente na Cisjordânia em meio a três milhões de palestinos. O território foi dividido em três áreas pelos Acordos de Oslo. A área A representa cerca de 20% do território e abriga as maiores cidades, como Nablus, Belém e Ramallah. Está sob controle civil e militar da Autoridade Palestina — mas o Exército de Israel realiza operações na região quando bem entende. A área B, que contempla outros 20%, tem controle civil da Autoridade Palestina e militar de Israel. Na C, Israel mantém tanto o controle militar quanto o civil. Qusra fica na área B. Cerco – Os colonos dos postos avançados costumam integrar grupos ainda mais radicais do que os colonos dos assentamentos. Muitas vezes, realizam ataques e até matam palestinos. Desta vez, decidiram cercar as casas para forçar a saída dos moradores. A atitude provocou enormes protestos, inclusive em Israel. De domingo a quinta-feira, os soldados israelenses foram incapazes de removê-los. Alguns militares foram vistos rezando ao lado dos colonos, e há ainda acusações de que agentes teriam entrado em casas de palestinos, roubado dinheiro e danificado bens dos proprietários. Pressão – Os colonos teriam sido removidos pelo Exército de Israel na quinta-feira, depois de forte pressão norte-americana. Horas depois, no entanto, alguns teriam retornado. Não está clara a situação do local no momento em que envio esta newsletter. O embaixador Huckabee condenou o cerco, mas deixou claro ser defensor dos colonos como um todo, dizendo que os terroristas seriam apenas uma minoria mais radical — o representante norte-americano se posiciona contra a existência de um Estado palestino. Violência – Segundo informações do jornal “Times of Israel”, os ataques de colonos cresceram 63% na primeira metade deste ano. Treze nações europeias e o Canadá já condenaram publicamente o terrorismo de colonos contra palestinos na Cisjordânia. Dentro de Israel, também há oposição às ações desses radicais que vivem em assentamentos na Cisjordânia. Empoderamento – O governo de Benjamin Netanyahu, no entanto, empoderou os colonos. Ministros importantes da atual administração têm origem nos movimentos mais radicais na Cisjordânia. Neste mês, Israel realiza eleições parlamentares, e uma vitória da coalizão de Netanyahu fortaleceria ainda mais a presença dos colonos e a defesa da anexação formal da maior parte do território palestino. A oposição adota posição mais dura em relação aos colonos e é contra a anexação, embora poucos políticos israelenses, na atualidade, defendam uma nação palestina independente na Cisjordânia.
O terror dos colonos israelenses em uma vila palestina
Cerco em Qusra gera críticas até do embaixador dos EUA em Israel, defensor da presença dos colonos na Cisjordânia












