Novo episódio de violência teve início depois que colonos armados entraram em cidade palestina, e ocorre em meio a ofensiva militar e política de Israel no território 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Soldados israelenses cercam um hospital em Nablus, na Cisjordânia, em meio a onda de violência — Foto: Jaafar ASHTIYEH / AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 24/07/2026 - 17:37 Ofensiva de Israel na Cisjordânia após mortes intensifica tensão O Exército de Israel lançou uma ofensiva na Cisjordânia após confrontos que resultaram na morte de quatro palestinos e dois israelenses, intensificando a violência na região. A ação ocorreu após colonos armados entrarem em uma cidade palestina, exacerbando tensões em meio aos planos de Israel de expandir assentamentos ilegais. O governo israelense fechou Nablus e impôs toque de recolher, enquanto o premiê Netanyahu justificou a ofensiva como combate ao terrorismo. A situação agrava-se com apoio a colonos e críticas internacionais à inação frente à escalada de violência. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO As autoridades de Israel lançaram uma nova operação na Cisjordânia, depois que enfrentamentos entre palestinos e colonos israelenses deixaram seis mortos nesta sexta-feira. Em paralelo à guerra em Gaza, o território é alvo de atos de violência recorrentes protagonizados por colonos judeus, por vezes com apoio de forças de segurança, e de planos do governo israelense para ampliar a rede de assentamentos. As versões sobre o que ocorreu variam de acordo com a fonte. Segundo as Forças Armadas de Israel, o grupo de colonos, todos armados, realizava uma “caminhada” sem autorização perto da vila de Tal, em uma área vetada a cidadãos israelenses, quando se depararam com um grupo de palestinos perto de uma mesquita. Neste instante, alegam os militares, teve início um confronto e foram feitos disparos para o ar e a confusão se espalhou para os arredores da cidade, que fica próxima a um assentamento. Pela versão palestina, os colonos entraram em Tal com o objetivo de causar danos às casas e propriedades, e as forças de segurança — incluindo militares — abriram fogo deliberadamente contra os civis. Imagens divulgadas em redes sociais mostram confusão e correria após os disparos, e o Exército de Israel afirmou que todos os ferimentos por armas de fogo foram provocados por armamentos israelenses. Um homem palestino foi acusado de pegar o rifle de um colono e disparar contra ele, o matando. Quatro pessoas, incluindo uma criança, ficaram feridas, três com gravidade. Após o confronto, foram registrados ataques em várias cidades e vilas ao redor de Nablus, no norte da Cisjordânia. Em Surra, houve relatos de casas e carros incendiados. Em Urif, um homem ficou ferido ao fugir de um grupo que incendiou sua casa. Segundo a rede al-Jazeera, plantações foram incendiadas pelos colonos e dezenas de oliveiras arrancadas. Um hospital em Nablus para onde dois dos palestinos feridos foram levados foi invadido por militares, que levaram os homens para interrogatório. "Equipes de socorro em solo descrevem os vilarejos ao redor de Nablus como praticamente isolados. Portões de acesso foram bloqueados com barreiras viárias, impedindo a entrada de ambulâncias ou o acesso aos pacientes", escreveu, na rede social X, a seção israelense da ONG Médicos Pelos Direitos Humanos. No começo da tarde, o governo israelense determinou o fechamento completo de Nablus e impôs um toque de recolher em dois vilarejos, Tal e Burin. Em suas redes sociais, o premier Benjamin Netanyahu classificou os confrontos de “atos de terrorismo”, e anunciou uma ofensiva de grande porte na área. O “pacote” de segurança inclui a demolição da casa do homem acusado de pegar o rifle do colono, a suspensão de autorizações de trabalho de palestinos e o estabelecimento de novos postos de controle e acampamentos militares, igualmente ilegais pela lei internacional. “Permitiremos que as forças de segurança atuem livremente e com toda a força contra os terroristas e seus financiadores”, escreveu Netanyahu.” Apelo a todos para que se abstenham de qualquer ação que possa prejudicar as atividades de nossas forças ou desviá-las de sua missão principal: proteger os cidadãos de Israel e derrotar o terrorismo.” Em comunicado, a Autoridade Nacional Palestina condenou o “terrorismo dos colonos” e criticou o governo de Israel pelo que chamou de “apoio financeiro e político a grupos de colonos para intensificar o terrorismo contra cidadãos na Cisjordânia, incluindo Jerusalém, e para implementar o plano de deslocamento forçado”. Diante de um cessar-fogo quase fictício em Gaza, com ataques regulares de Israel e quase 1,2 mil mortos desde sua implementação, em outubro passado, a Cisjordânia enfrenta um aumento exponencial da violência envolvendo os civis palestinos e os moradores de assentamentos, considerados ilegais pela lei internacional. Ataques contra vilarejos, ocupação de terras, incluindo em plantações, e a destruição de propriedades se tornaram recorrentes, assim como a abertura de novas colônias em áreas onde não deveriam existir e a expulsão de dezenas de milhares de palestinos de suas terras. “Esses ataques foram recebidos com silêncio e inação por grande parte da comunidade internacional, permitindo que a violência continue e se intensifique”, afirmou, em comunicado, um coletivo de organizações israelenses de defesa dos direitos humanos, que usaram o termo “pogrom”, associado à perseguição em massa a judeus no passado, para descrever a situação na Cisjordânia. Prestes a enfrentar eleições, em outubro, Netanyahu tenta usar o tempo que ainda tem no cargo para avançar com a agenda de assentamentos, cara a setores da direita e à extrema direita, essencial para manter seu Gabinete em funcionamento. Recentemente, o ministro das Finanças, Bezalel Smotrich, defensor dos assentamentos, anunciou mais de R$ 2 bilhões para novas colônias. Seu colega de governo, Itamar Ben-Gvir, ministro da Segurança, defende abertamente a demolição de vilas inteiras na Cisjordânia. O ministro da Defesa, Israel Katz, afirmou ter planos para criar três assentamentos militares no norte da Faixa de Gaza, um plano que pode sair do papel a qualquer momento. “O governo israelense está empurrando a Cisjordânia para uma explosão”, escreveu, na rede social X, o chanceler da Jordânia, Ayman Safadi. “Elas estão conduzindo a região a mais um conflito desastroso, que repercutirá para além dos Territórios Palestinos ocupados. A comunidade internacional deve agir de forma eficaz e rápida contra essas medidas israelenses antes que seja tarde demais.”