Dilma Rousseff deu muita chance para o azar que degradou ainda mais a situação econômica e política a partir de 2014. Seu governo foi desastroso, mas Dilma teve azar de enfrentar a campanha para sua deposição, que começou assim que foram fechadas as urnas. A gente é tentada a dizer que é difícil a repetição das condições desse desastre que nos assombra até hoje, na economia e na política. Mas um pouco de cheiro de queimado dá medo de incêndio.

As taxas de juros aumentaram nos EUA. São a torneira do capital do mundo, que pode nos causar sedes. Estão nos níveis mais altos em cerca de 20 anos no caso dos prazos mais longos. Não há perspectiva de alta descabelada, mas estão em alturas que dificultam um tanto mais a nossa vida quanto a câmbio e juros. Crescemos pouco em anos de ambiente externo favorável. E se a maré vira?Vem por aí El Niño de intensidade inédita em um século —essa é a previsão. El Niño forte não quer dizer, necessariamente, que chuvas e secas vão arruinar safras ou encarecer a eletricidade. Mas o risco é grande. Para piorar, o país não colocou o setor elétrico em ordem, ao contrário, e o agro está endividado.

O ritmo de crescimento da economia mundial em 2027 não deve mudar de modo significativo, dizem previsões (hum), nem haveria baixa relevante do preço de commodities que pagam nossas contas externas (petróleo, grãos, carnes, ferro), afora o caso de petróleo, embora previsão de preço de commodities seja o que se sabe. Recorde-se que a receita do governo com petróleo paga também naco enorme das despesas federais.