O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse que zerou o déficit público. Não é verdade. O que o governo fez foi tirar vários tipos de despesas das contas oficiais do arcabouço fiscal. Com esse truque, um déficit de R$ 52 bilhões virou superávit ao subtraírem R$ 62,8 bilhões do total. Sempre perigoso quando o mágico começa a acreditar na própria mágica. O ministro esquece de um detalhe: as despesas que saíram da conta vão ter de ser pagas do mesmo jeito. Reza a lenda que advogados não gostam muito de números, mas a aritmética é simples e acessível: se as receitas não são suficientes para cobrir despesas ou aumenta a dívida, ou dá inflação ou o governo posterga o pagamento das despesas, como fez Guedes com a PEC dos Precatórios.O presidente pediu ideias de ajuste à sua equipe, mas nada muito radical, é tempo de campanha Foto: Wilton Junior/EstadãoPUBLICIDADEJá em 2024, a ex-ministra Simone Tebet alertava que o corte de gastos teria de vir na convicção ou na dor. Estamos esperando. Em algum momento, será inevitável levar a sério essa coisa chata de não gastar mais que se arrecada. Receitas não faltaram; desde meados de 2023 elas cresceram impressionantes 17%. Mas gastos subiram ainda mais – 22%.Durigan também afirmou que, “desde 2024, o governo não é responsável por seu endividamento”. Tudo seria culpa da política monetária. Outro malabarismo. O governo é o responsável pelo crescimento da dívida, que bateu em 81,9% do PIB. Se continuar nesse ritmo, aumenta o risco, o prêmio requerido pelos credores sobe e a dívida cresce ainda mais. Aqui não cabe nem a pergunta Tostines: é evidente que juros são consequência, e não causa, do aumento impressionante da dívida pública. O endividamento das famílias e a recuperação judicial de empresas não param de crescer. Isso, sim, decorre dos juros, que só dependem de Lula para cair. PublicidadeO presidente pediu ideias de ajuste à sua equipe, mas nada muito radical, é tempo de campanha. O ministro sugeriu reduzir o teto dos gastos do arcabouço de 2,5% para até 1,5%. E nada de novo, porque teto é só um limite, que nem foi respeitado. Um governo mestre em driblar arcabouço elevou despesas em mais de 4% ao ano em termos reais desde 2023. Na semana em que Motta declara apoio a Lula, foi aprovado um projeto que libera gastos fora do teto ainda neste ano. O ajuste ficaria para 2027. Acredite se quiser. Indiferente à verdadeira herança maldita que vai receber de si mesmo, Lula afirmou recentemente que “a gente não pode ficar chorando atrás de miséria que sobra do Orçamento”. Alega precisar de mais recursos para resolver problemas estruturais do País. Depois de anos comandando o País, e com mais de 80 de idade, diz ele que em 2027 será diferente. Serão 20 anos em 4. Vale ler tambémAudiência no STF mostrou que BRB e governo do DF estão isolados na operação de socorro ao bancoTaxa das blusinhas: governo Lula e Congresso não sabem se assumem lado da indústria ou do consumidorQuais nomes os brasileiros estão usando para registrar suas filhas?
Opinião | Em contas públicas, é perigoso quando o mágico começa a acreditar na mágica
Um governo mestre em driblar arcabouço elevou despesas em mais de 4% ao ano em termos reais; depois de anos comandando o País, e com mais de 80 de idade, Lula diz que em 2027 será diferente









