Anos atrás, gravei um programa para o Fantástico, da TV Globo, entre os ribeirinhos do Alto Rio Negro, no Amazonas. Quando lhes perguntei qual era o animal mais perigoso para os seres humanos, citaram a cobra, a onça, as piranhas, os jacarés e até leões e tigres. Ficaram surpresos quando lhes disse que era o mosquito.
Os mosquitos são animais bem-sucedidos do ponto de vista evolutivo. Estão na Terra há muito mais tempo do que nós. Estima-se que as primeiras espécies da família Culicidae surgiram entre 200 milhões e 230 milhões de anos atrás. Quando aquele meteoro caiu na Península de Yucatán, no México, há 66 milhões de anos, extinguindo os dinossauros, os mosquitos sobreviveram.
Nos últimos 50 milhões de anos, a família se diversificou, dando origem aos gêneros Aedes, Anopheles e Culex. Nesses gêneros, o metabolismo energético das fêmeas e dos machos depende da ingestão de carboidratos retirados das flores, da seiva e dos frutos. As fêmeas, no entanto, necessitam sugar sangue para obter as proteínas necessárias à produção dos ovos que darão origem às novas gerações.
Esse capricho biológico é que os torna os animais mais perigosos da Terra. Ao sugar o sangue de vários indivíduos, as fêmeas podem infectar-se por microrganismos presentes na corrente sanguínea, que serão transmitidos por elas de uma pessoa para outra.









