Cá entre nós, pelo menos metade da diversão de escrever sobre ciência é descobrir um novo pedacinho de terminologia maravilhoso, e o meu favorito desta semana seguramente é "engodo caudal".
Podemos empregar a expressão quando falamos das serpentes da família dos viperídeos, chamadas coletivamente de víboras e que têm entre seus membros as cascavéis do gênero Crotalus e as jararacas do gênero Bothrops. O dito engodo se dá quando um desses predadores sofisticados ondula a cauda, com movimentos ritmados, para dar a impressão de que aquilo é uma minhoca ou coisa que o valha se debatendo. A presa da serpente acha que seu almoço chegou e, é claro, vai parar no papo da cobra, que dá o bote se aproveitando de sua distração.
Trata-se de um sistema simples e elegante, daqueles que a seleção natural é mestra em construir, ainda mais considerando o fato de que a cauda ondulatória pode ter coloração diferente do resto do corpo do bicho, o que favorece ainda mais sua função de isca. Agora, pesquisadores brasileiros conseguiram mapear a trajetória evolutiva desse truque, ajudando a entender como ele está conectado com o desenvolvimento dos répteis.
Está tudo descrito em artigo na revista científica Ethology Ecology & Evolution, assinado por Aída Giozza e Veronica Slobodian, da UnB (Universidade de Brasília). Giozza foi orientada em seu mestrado por Reuber Brandão, também pesquisador da UnB e coautor do trabalho.









