Charles Darwin dedicou anos ao estudo de cracas e era obcecado pela criação de pombos. Mas uma de suas fascinações mais duradouras eram as plantas carnívoras. Ele chamou as dioneias de "uma das plantas mais maravilhosas do mundo" e certa vez comentou que se importava mais com as dróseras, dotadas de armadilhas pegajosas, "do que com a origem de todas as espécies do mundo".

Em 1875, o biólogo evolucionista publicou um tratado sobre plantas carnívoras no qual apresentou várias espécies. Entre elas estavam as plantas alpinas do gênero Saxifraga, que tinham pelos pegajosos semelhantes aos das dróseras. Durante experimentos, Darwin ofereceu insetos a duas espécies europeias de Saxifraga, mas não conseguiu provar que eram carnívoras.

Passados mais de 150 anos, cientistas confirmaram a hipótese dele.

Recentemente, uma equipe ofereceu pequenas moscas a outra espécie de Saxifraga nativa da China. O experimento, cujo resultado foi descrito na última terça-feira (4) na revista Nature Communications, revelou que a planta de fato digere e absorve nutrientes de suas presas.

Hang Sun, pesquisador do Instituto de Botânica de Kunming, da Academia Chinesa de Ciências, é um dos autores do artigo. Segundo ele, os achados revelam que o consumo de insetos por plantas tem raízes profundas.