Relatos de diferentes pontos do bairro apontam aumento expressivo nos últimos dois meses; condições climáticas podem influenciar no fenômeno 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Por que os mosquitos picam mais algumas pessoas do que outras? Ciência pode explicar — Foto: AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 08/07/2026 - 17:40 Explosão de mosquitos atinge Copacabana em pleno inverno, alertam especialistas Moradores de Copacabana enfrentam uma explosão de mosquitos durante o inverno, algo inédito na região. Relatos apontam que os insetos atrapalham o sono, mesmo em andares altos. Especialistas indicam que condições climáticas favoráveis, como temperaturas acima de 20 graus e alta umidade, contribuem para o fenômeno, destacando a importância do monitoramento e manejo ambiental para controle. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Para quem mora em Copacaba conviver com os mosquitos durante o verão não é novidade. No entanto, a presença dos insetos em pleno inverno tem tirado a paz de quem habita a região. Nos últimos dois meses, relatos vindos de diferentes pontos do bairro descrevem uma rotina semelhante; os mosquitos chegam no fim do dia, permanecem a noite toda e comprometem o sono. As reclamações se repetem em endereços distintos, como Dias da Rocha, Constante Ramos, Bairro Peixoto e outros. O que indica que o problema não está restrito a um único ponto de um dos bairros mais conhecidos do Rio de Janeiro. Moradora da rua Dias da Rocha há mais de quatro décadas, Daniela Ribeiro, afirma que nunca havia enfrentado uma situação semelhante a esta. — Eu nunca tinha tido problemas com mosquitos até a pandemia. Desde então, tem piorado, mas neste ano está demais. Agora, no inverno, ficou ainda pior do que no verão. A gente anda na rua e passa por nuvens de insetos. Moro no décimo andar e tenho problemas em casa também, desde o elevador, porque eles estão lá dentro também — relata Daniela. Na rua Constante Ramos, a advogada Fernanda Oliveira diz que repelentes deixaram de ser suficientes para conter os insetos na região. — Moro no quinto andar e nunca vi tanto mosquito assim, ainda mais no inverno. Utilizo aquele repelente que fica ligado na tomada e ele simplesmente não está mais adiantando. A quantidade é tão grande que está atrapalhando a qualidade do nosso sono. Acordo mais de uma vez durante a madrugada para matar mosquito. Meus pais moram no bairro Peixoto e passaram a dormir com ar-condicionado ligado, mesmo no inverno, para conseguirem dormir uma noite inteira — compartilha. Estratégia para pegar no sono Também moradora de Copacabana há cerca de 30 anos, Eduarda Vétere afirma que precisou incorporar uma nova rotina para conseguir dormir. — Passei a dormir com uma raquete elétrica ao lado da cama. Meu filho, de cinco anos, acorda durante a madrugada reclamando das picadas e dos zumbidos. Também escuto reclamações dos vizinhos. Morador na rua Miguel Lemos, Carlos dos Santos também precisou criar uma estratégia para voltar a dormir uma noite inteira dentro de casa, devido ao incômodo referente ao aumento no número de mosquitos. — Precisei comprar um protetor de ouvidos, tamanho o barulho ao longo da noite. Já tenho que dormir completamente debaixo da coberta, para evitar as picadas, mas isso não impede de escutar o zum zum zum que acontece a noite inteira. Pode parecer bobagem falando assim, mas é muita coisa mesmo, perturbador — desabafa. Condições climáticas favoráveis Segundo o entomólogo Arlindo Serpa Filho, do Centro de Educação Ambiental SOS Vida Silvestre e do Instituto Oswaldo Cruz, uma das hipóteses é que o aumento esteja relacionado à proliferação de mosquitos do gênero Culex, especialmente o Culex quinquefasciatus, popurlamente conhecido como pernilongo. Diferente do Aedes aegypti, transmissor da dengue, zika e chikungunya, que tem maior atividade durante o dia, o Culex costuma aparecer principalmente ao entardecer e durante a noite, justamente no período descrito pelos moradores. Arlindo explica que o inverno carioca continua oferecendo condições favoráveis para o desenvolvimento desses insetos. — As temperaturas permanecem frequentemente acima dos 20 graus, além da ocorrência de chuvas irregulares, elevada umidade e ampla disponibilidade de criadouros artificiais e naturais. Esses fatores permitem que as populações de mosquitos sejam mantidas ao longo de praticamente todo o ano. Apesar do incômodo, o especialista ressalta que, neste momento, não há indícios de risco sanitário relacionado ao fenômeno descrito pelos moradores. — A população deve ser encarar como um alerta para que o monitoramento entomológico seja intensificado e para que medidas de manejo ambiental e saneamento sejam adotadas com rapidez, identificando quais espécies estão predominando e quais fatores estão favorecendo essa explosão populacional, mas a questão se encerra no incômodo e nas reações alérgicas, descartando a possibilidade momentânea de transmissão de agentes patogênico causadores de doença — completa. O que diz a Prefeitura do Rio Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde informou que atua regularmente em todas as regiões da cidade no combate aos vetores de doenças de importância em saúde pública, como o Aedes aegypti. Segundo a pasta, até 27 de junho foram realizadas quase 5,9 milhões de vistorias em imóveis na cidade, com mais de 815 mil depósitos que poderiam servir de criadouros tratados ou eliminados. A prefeitura acrescenta que, embora as ações de combate ao Aedes ocorram semanalmente em bairros da Zona Sul, os principais chamados registrados na região dizem respeito aos pernilongos, espécie que se prolifera em água com matéria orgânica e que, segundo a Secretaria Municipal de Saúde, não transmite doenças na cidade do Rio. Ainda de acordo com a pasta, o aumento da população desses insetos está relacionado às condições climáticas atípicas, como temperaturas elevadas e chuvas intermitentes. A recomendação é eliminar recipientes que acumulem água, manter calhas, ralos e fossas limpos e desobstruídos, além de utilizar telas, mosquiteiros e repelentes como forma de proteção individual.