Vários fatores podem influenciar o interesse dos insetos, mas especialistas descartam relação comprovada com tipo sanguíneo 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Por que os mosquitos picam mais algumas pessoas do que outras? Ciência pode explicar — Foto: AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 16/06/2026 - 05:31 Por que mosquitos preferem algumas pessoas? A ciência explica. A ciência busca explicar por que mosquitos picam mais algumas pessoas. Fatores incluem odores corporais, CO2 e calor. Estudos descartam ligação com tipo sanguíneo, cor da pele ou cabelo. Consumo de álcool pode aumentar atratividade. Pesquisas tentam identificar quais compostos atraem mais os mosquitos. Recomendações incluem uso de repelentes e roupas adequadas para evitar picadas. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Por que algumas pessoas parecem ser verdadeiros "ímãs" para mosquitos, enquanto outras escapam das picadas com mais facilidade? Segundo os cientistas, a resposta está em uma combinação complexa de fatores biológicos que ainda está sendo investigada. O principal deles envolve a química do próprio corpo humano. "Das pouco mais de 3.500 espécies de mosquitos conhecidas, cerca de uma centena pica seres humanos e meia dúzia é vetor de doenças", como malária, dengue, febre amarela, chikungunya, zika ou o vírus do Nilo Ocidental, explicou à AFP Frédéric Simard, diretor de pesquisas do Instituto de Pesquisa para o Desenvolvimento (IRD), no sudeste da França. — E não é mito: nem todos somos iguais diante do apetite dos mosquitos. Mas também não somos ímãs o tempo todo — acrescentou o entomologista médico. Os seres humanos atraem esses insetos por meio de diferentes sinais sensoriais, principalmente os odores corporais, o dióxido de carbono liberado na respiração e o calor emitido pelo corpo. As fêmeas — únicas responsáveis pelas picadas — detectam esses estímulos por meio de receptores especializados e, com base neles, escolhem seus alvos. — Sabemos há mais de 100 anos que os mosquitos são atraídos pelo dióxido de carbono que expiramos: é o primeiro sinal que desencadeia seu comportamento, a várias dezenas de metros de distância — explicou à AFP Rickard Ignell, autor de um estudo recente sobre as bases químicas da atração diferenciada desses insetos pelo hálito humano. Segundo o cientista sueco, quando estão a cerca de 10 metros de distância, os mosquitos passam a perceber também os odores emitidos pelo corpo humano. — Os mosquitos começam a detectar nosso odor que, combinado com o CO2, os atrai ainda mais — afirmou. Crenças populares nem sempre encontram respaldo científico Especialistas destacam que algumas explicações amplamente difundidas não contam com evidências robustas. — A diferença entre os tipos sanguíneos não possui base científica sólida: alguns estudos foram realizados, mas com poucas pessoas. Tampouco está relacionada à cor da pele, dos olhos ou do cabelo — afirmou Simard. Por outro lado, o odor corporal parece desempenhar um papel importante nesse processo. — Uma mistura de moléculas produzidas pela nossa microbiota é mais ou menos atraente para os mosquitos — explicou o pesquisador. De acordo com diferentes estudos, os seres humanos emitem entre 300 e 1.000 compostos odoríferos distintos. Os cientistas ainda tentam identificar quais dessas substâncias exercem maior influência sobre o comportamento dos insetos. Em uma pesquisa da qual Ignell participou, foram avaliadas em laboratório as diferenças de atratividade de 42 mulheres para mosquitos da espécie Aedes aegypti, vetor da dengue e da febre amarela. — Demonstramos que uma mistura de compostos odoríferos — identificamos 27 que esses mosquitos conseguem detectar — influencia o grau de atração — afirmou. Segundo o cientista, mulheres consideradas mais atraentes para os mosquitos, especialmente aquelas no segundo trimestre da gestação, apresentavam concentrações ligeiramente maiores de um composto derivado da degradação do sebo. — Os mosquitos são criaturas fascinantes — comentou Ignell ao destacar que pequenas variações químicas podem alterar significativamente o comportamento desses insetos. Álcool também pode influenciar Alguns estudos indicam que o consumo de bebidas alcoólicas pode aumentar a atratividade para determinadas espécies de mosquitos. Segundo os pesquisadores, a ingestão de cerveja pode elevar a temperatura corporal, modificar os odores da pele e aumentar a quantidade de dióxido de carbono eliminada na respiração. Um estudo realizado em Burkina Faso observou que mosquitos do gênero Anopheles, principais transmissores da malária, eram mais atraídos pelos odores de voluntários que haviam consumido cerveja do que daqueles que ingeriram água. Os especialistas ressaltam que compreender melhor esses mecanismos tornou-se ainda mais importante diante da expansão geográfica de espécies como o mosquito-tigre, favorecida por fatores como mudanças climáticas, urbanização e intensificação dos fluxos globais. — O risco afeta cada vez mais pessoas e também mais países que dispõem de recursos para se proteger. Isso gera financiamento e resultados de pesquisa — afirmou Simard. Enquanto os cientistas continuam investigando por que algumas pessoas são mais visadas pelos mosquitos do que outras, as recomendações seguem as mesmas: usar repelentes, vestir roupas compridas e folgadas, recorrer a mosquiteiros quando necessário e adotar medidas de proteção individual para reduzir o risco de picadas.
Por que os mosquitos picam mais algumas pessoas do que outras? Ciência pode explicar
Vários fatores podem influenciar o interesse dos insetos, mas especialistas descartam relação comprovada com tipo sanguíneo







