Associação da Barra já tinha reunião marcada com Aeronáutica para discutir descumprimento de limites de altitude; moradores relatam aeronaves voando próximas a prédios e áreas residenciais 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Moradores relatam fumaça e explosões após queda de helicópteros no Recreio — Foto: Reprodução/Redes sociais RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 14/06/2026 - 22:36 Comunidades do Recreio e Barra pedem rigor após tragédia aérea Moradores do Recreio e Barra da Tijuca clamam por maior fiscalização após colisão fatal de helicópteros que resultou em seis mortes. A tragédia, ocorrida dias antes de uma reunião com o Decea para discutir voos irregulares e violação de limites de altitude, reacendeu debates sobre segurança aérea. A comunidade denuncia voos clandestinos frequentes e cobra medidas eficazes para prevenir novos acidentes na região. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A colisão entre dois helicópteros que matou seis pessoas na manhã deste domingo, no Recreio dos Bandeirantes, aconteceu poucos dias antes de uma reunião que já estava marcada entre representantes de moradores da Barra da Tijuca e o Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea), órgão responsável pelo controle do espaço aéreo. O encontro, agendado para o próximo dia 22, tinha justamente como pauta reclamações sobre o aumento do número de aeronaves sobrevoando a região e o descumprimento de regras de altitude. Para moradores e representantes de associações locais, a tragédia reacendeu um debate antigo. — Há vários anos a Câmara Comunitária vem questionando esses voos de helicópteros sobre a Barra, principalmente das grandes aeronaves. No próximo dia 22 estamos com reunião marcada para discutir por que não foram tomadas providências e também multadas 34% das aeronaves que desrespeitaram os limites de altitude nos voos durante um período de aproximadamente seis meses. Portanto, esta era uma tragédia anunciada — afirmou Delair Dumbrosck, presidente da Câmara Comunitária da Barra da Tijuca. Segundo ele, a reunião contará com a presença de representantes do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea), além de lideranças políticas e autoridades da região. Entre os participantes confirmados estão o deputado federal Hugo Leal, o deputado estadual Cláudio Caiado e o subprefeito da Barra. Fiscalização e e regras mais rígidas De acordo com Dumbrosck, uma das principais reivindicações dos moradores é o aumento da fiscalização sobre voos realizados sem as autorizações necessárias e a adoção de regras mais rígidas para o cumprimento dos limites de altitude. — Grande parte dos voos de pequenas aeronaves pratica seus voos de forma clandestina, sem as devidas autorizações, segundo dados levantados pelo próprio Decea durante as fiscalizações realizadas nos últimos seis meses. Precisamos saber quais providências serão tomadas — disse o representante. Para Gerardo Portela, doutor em Gerenciamento de Riscos e Segurança pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a região onde ocorreu a colisão concentra um fluxo intenso de aeronaves, especialmente nos fins de semana, quando aumentam os voos turísticos e os deslocamentos para destinos da Costa Verde. — Nessa região onde aconteceu o acidente, as aeronaves, num dia como esse de domingo, fazem passeios, vários tipos de voos de transporte de passageiros para as regiões turísticas próximas e voos panorâmicos. A circulação é muito grande, muito intensa — explica o especialista. Portela ressalta que a investigação conduzida pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) deverá buscar esclarecer as causas da colisão. No entanto, ele avalia que a análise não deveria se limitar apenas às aeronaves envolvidas ou às ações dos pilotos. Segundo ele, o episódio também evidencia a necessidade de uma discussão mais ampla sobre a gestão do espaço aéreo em áreas urbanas densamente povoadas: — É preciso uma avaliação mais aprofundada e mais abrangente, porque esse acidente não se limita realmente só a helicópteros, pilotos e aeródromos, mas a toda a comunidade que está ao redor, que fica sob risco. Isso tem que ser considerado na investigação — afirma. Na avaliação do engenheiro, uma das possíveis conclusões desse processo poderá envolver mudanças na forma como o tráfego aéreo é administrado na região. A colisão aconteceu em uma área cercada por condomínios residenciais, centros comerciais e vias de grande circulação. Além das seis mortes, a queda das aeronaves espalhou destroços por diferentes pontos do bairro, incluindo um terreno baldio e áreas próximas a residências. Moradora da região, Jeane Canivello, de 62 anos, presenciou o momento do acidente da varanda de casa. Segundo ela, o primeiro susto veio pelo barulho. — Eu ouvi um helicóptero, mas aqui já existe um fluxo muito grande de aeronaves. Inclusive, é um assunto que a gente comenta em casa porque sempre existiu esse receio de que pudesse acontecer uma tragédia — contou, admitindo que ao ouvir a explosão imaginou que o barulho tivesse vindo de dentro do condomínio: — Na hora, achei que fosse um caminhão batendo no carro do meu marido. Quando abri a porta, vi uma fumaça preta, mas ainda não tinha entendido o que tinha acontecido. Depois soube pelas redes sociais que tinha sido a queda do helicóptero. A moradora também chamou atenção para o intenso movimento aéreo na região do Recreio, especialmente em períodos de maior circulação. — Em feriados e no fim do ano é o tempo todo passando helicóptero. Às vezes passam muito próximos uns dos outros. Ontem mesmo eu vi um do lado do outro. Isso preocupa quem mora aqui — desabafou. Ela defende que o episódio acenda um alerta para autoridades e para o monitoramento do tráfego aéreo na região: — A gente fica com medo de que uma situação como essa possa acontecer de novo. Nas redes sociais, após a colisão deste domingo, moradores relataram preocupação com a frequência de helicópteros sobrevoando áreas residenciais do Recreio e da Barra. "Infelizmente isso não me surpreende. Passamos por um problema aqui no condomínio em que um piloto ficava fazendo manobras arriscadas para ver um amigo que morava em uma cobertura ao lado da Igreja Sara Nossa Terra. Só parou depois que denunciamos à ANAC", escreveu um morador. Pelas regras de voo visual (VFR), modalidade em que o piloto navega utilizando referências visuais no solo e ao redor da aeronave, helicópteros devem manter altura mínima de 500 pés, o equivalente a cerca de 150 metros do solo. Segundo Delair Dumbrosck, as reclamações sobre o tema não começaram agora. Ele lembra que, há cerca de dois meses, outro episódio envolvendo uma aeronave chamou atenção na região: pouso de emergência de um helicóptero utilizado em voo panorâmico na Praia da Barra, caso que também gerou questionamentos sobre fiscalização e segurança. Enquanto as causas da colisão deste domingo serão investigadas pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), moradores afirmam esperar que a tragédia acelere discussões que, segundo eles, já vinham sendo feitas há anos.