Projeto apoiado pela gigante da tecnologia quer liberar milhões de mosquitos machos para reduzir a população do Aedes aegypti e conter a disseminação de doenças Mosquito que transmite a dengue. — Foto: Valery HACHE / AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 04/06/2026 - 21:31 Google busca liberação de 32 milhões de mosquitos para controle do Aedes aegypti na Califórnia O Google, por meio da Verily, sua empresa de biotecnologia, busca licença da EPA para liberar 32 milhões de mosquitos machos infectados com Wolbachia na Califórnia. Essa estratégia visa reduzir a população do Aedes aegypti, transmissor de doenças como dengue, por meio de cruzamentos que impedem o desenvolvimento dos ovos. Testes prévios mostraram eficácia de até 99% na redução desses mosquitos. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O Google está apostando em uma estratégia biológica para combater a dengue e outras doenças transmitidas por mosquits nos Estados Unidos: a liberação de milhões de espécies. A iniciativa é conduzida pela Verily, empresa de biotecnologia pertencente à Alphabet, grupo que controla o Google, e busca reduzir drasticamente a população do Aedes aegypti, transmissor da dengue, zika, chikungunya e febre amarela. Segundo reportagem do jornal Los Angeles Times, a empresa solicitou autorização à Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA) para ampliar a utilização da técnica na Califórnia, e pode ter uma resposta a partir desta sexta-feira (5). O plano prevê a liberação de até 32 milhões de mosquitos machos em áreas selecionadas do estado ao longo de 2 anos. A estratégia, no entanto, não consiste em aumentar a quantidade de insetos capazes de transmitir doenças. Os mosquitos liberados são machos infectados com a bactéria Wolbachia. Como apenas as fêmeas picam seres humanos, os machos não representam risco direto à população. O objetivo é que esses machos cruzem com fêmeas selvagens do Aedes aegypti. Quando isso acontece, os ovos produzidos não se desenvolvem e não chegam à fase adulta. Com a repetição do processo ao longo do tempo, a população do mosquito transmissor diminui significativamente. A tecnologia foi desenvolvida dentro do programa Debug, criado pela Verily. Para viabilizar a produção em larga escala, a empresa construiu sistemas automatizados capazes de separar machos e fêmeas com grande precisão. A técnica já foi testada anteriormente. Em Fresno, na Califórnia, experimentos realizados pela empresa registraram reduções de até 95,5% na população de fêmeas do aedes aegypti. Em algumas áreas monitoradas, a queda chegou a 99%. O interesse pela tecnologia cresce à medida que a dengue passa a preocupar autoridades de saúde nos Estados Unidos. De acordo com o Los Angeles Times, a Califórnia registrou os primeiros casos de dengue adquiridos localmente no últimos anos. O mosquito da dengue é bem diferente do pernilongo comum. — Foto: Editoria de Arte/OGLOBO Aas mudanças climáticas estão ampliando as áreas favoráveis à sobrevivência do Aedes aegypti. Invernos mais amenos e temperaturas mais elevadas criam condições para que o mosquito se estabeleça em regiões onde antes não conseguia sobreviver. Um estudo citado pela reportagem estima que cerca de 18,2 milhões de californianos vivem atualmente em áreas com potencial para transmissão local da dengue. O método baseado na Wolbachia é considerado uma forma de controle biológico, já que busca reduzir a população do mosquito sem eliminar outras espécies e sem recorrer ao uso intensivo de produtos químicos. Uma fêmea de mosquito Aedes aegypti se prepara para picar o dedo de uma pessoa — Foto: CDC/divulgação No entanto, não é recomendado que a técnica substitua medidas tradicionais de combate ao mosquito, como eliminação de água parada e monitoramento sanitário. A expectativa é que funcione como uma ferramenta complementar para conter a expansão da dengue em regiões onde o aedes aegypti se tornou uma ameaça crescente. Se receber autorização definitiva das autoridades ambientais americanas, o projeto poderá se tornar uma das maiores operações de controle biológico de mosquitos já realizadas nos Estados Unidos e servir de modelo para outros países que enfrentam surtos de dengue.