Gerando resumoBRASÍLIA - Ao comprar R$ 12,2 bilhões em créditos podres do Master, o Banco de Brasília (BRB) se colocou sob o risco de uma liquidação extrajudicial. Para evitá-la e garantir um acordo de socorro dos maiores bancos do País, será necessário, segundo integrantes do governo, fechar dois pontos ainda pendentes e que deverão ser discutidos nesta quinta-feira, 13, em nova audiência de conciliação. PUBLICIDADEUm dos pontos é o Supremo Tribunal Federal (STF) dar às instituições a garantia de que, em caso de default (calote), possam sacar recursos dos fundos de participação do Estado (FPE) e do Município (FPM) e o Constitucional do Distrito Federal (FCDF). O outro é o BRB detalhar para o consórcio de bancos qual o seu plano de negócios com a injeção de R$ 6,6 bilhões que solicitou para continuar em operação. Procurado, o BRB disse que a análise da operação de capitalização segue os ritos próprios do processo e que a atual administração adotou medidas “para reforçar a governança, aprofundar os processos de auditoria e assegurar total transparência” (leia mais abaixo).PublicidadeA avaliação é a de que o BRB é considerado 'um bom banco', mas acabou se envolvendo em negócios escusos com o Master Foto: Paulo H. Carvalho/Agência BrasíliaOs recursos para salvar o BRB seriam do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) com o aval dos maiores bancos do País. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva já proibiu o Tesouro Nacional, a Caixa e o Banco do Brasil de socorrer o banco estatal do Distrito Federal. O acordo seria a operação mais viável, na avaliação de um interlocutor do governo ouvido pelo Estadão/Broadcast, porque não haveria perdas para o FGC nem para o setor bancário, caso o Banco Central (BC) fosse obrigado a tirar a instituição do mercado, com seu prejuízo sendo arcado pelos fundos de participação.O ‘olho no olho’ vai servir para aparar arestas? Na primeira audiência de conciliação, em maio, o BRB fechou com STF, BC, Ministério da Fazenda, Governo do Distrito Federal (GDF) e FGC um acordo para buscar o salvamento. Para diferentes observadores do caso, dificilmente a reunião desta quinta-feira apresentará avanços. Há a expectativa de alguns atores, porém, de que o “olho no olho” possa servir ao menos para aparar arestas.O acordo em vigor prevê que os recursos sejam repassados para o GDF, controlador do BRB, que deve fazer uma capitalização de equity (participação societária) na instituição. Caso as finanças do banco sigam sem saúde, a garantia concedida viria dos fundos (FPM, FPE e FCDF). O consórcio, porém, teme obstáculos jurídicos nesse aval, conforme revelou o Estadão/Broadcast no começo de junho.PublicidadeAs incertezas continuam, segundo depoimentos de representantes dos bancos ao governo federal, que se mantém afastado das negociações. A preocupação é a de os bancos entrarem nessa “aventura” e, diante de um hipotético problema de shutdown (falta de recursos) no DF, a Justiça, para manter o GDF viável, retirar a obrigatoriedade do uso do dinheiro dos fundos constitucionais.Onde seria usado o aporte de R$ 6,6 bilhões?A avaliação é a de que o BRB é considerado “um bom banco”, mas acabou se envolvendo em negócios escusos com o Banco Master. Para além das garantias, os socorristas querem saber o que o BRB fará exatamente com o aporte de R$ 6,6 bilhões. A instituição apresentou um plano no final do mês passado, mas não convenceu o consórcio, conforme apurou o Estadão/Broadcast.Isso porque há também o temor de que, após conceder o financiamento, se descubra que as operações do BRB necessitem ainda de mais recursos. Segundo um integrante do governo, se o Banco de Brasília está mesmo interessado nesse aporte, como tem demonstrado nas reuniões até aqui, deveria detalhar melhor seu plano de negócios.PublicidadeA reportagem registrou que, para o BRB, esses recursos precisam entrar no caixa do banco até o final deste mês. Ocorre que, desde setembro passado, o banco público não vem divulgando seus balanços, como determina o BC. A instituição tem preferido pagar as multas determinadas pelo regulador, que passou a acompanhar a contabilidade da instituição diariamente.BRB fala em ‘assegurar total transparência’Procurado, o BRB disse que os dados necessários para a análise da operação de capitalização vêm sendo disponibilizados às instituições responsáveis pela avaliação da proposta, observados os ritos próprios do processo. Tanto o Banco Central quanto o FGC, segundo a instituição, têm acesso às informações requeridas no âmbito das discussões sobre a solução de capitalização, por meio do plano de capital e do plano de negócios.O BRB também reforçou que as demonstrações financeiras de 2025 serão divulgadas após a conclusão do processo de capitalização. “O cronograma foi impactado pelas medidas adotadas pela atual administração para reforçar a governança, aprofundar os processos de auditoria e assegurar total transparência na apresentação das informações financeiras da instituição.”PublicidadePUBLICIDADEVale ler tambémUma política de desenvolvimento regional à altura da AmazôniaReforma tributária: brasileiro se assusta com alíquota de 28%, mas já paga imposto maiorSaída menos dolorosa para o BRB é a separação de ativos e a venda do banco, como ocorreu nos anos 90