A situação do Banco de Brasília (BRB) vai se arrastando ao longo dos meses porque as autoridades do Distrito Federal (DF) têm injetado recursos no banco público e compensado os saques que acontecem com a crise de confiança na instituição. Na prática, a cúpula do DF vem dobrando a aposta, na expectativa de que a sua influência política em Brasília a leve a conseguir uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que obrigue a União a incorporar o risco da operação de socorro.Essa estratégia, contudo, é extremamente arriscada para o governo do DF, que vem aumentando a sua exposição ao banco. O que tudo indica é que a saída menos dolorosa para o BRB seria a sua venda, para um outro banco público, como Banco do Brasil e Caixa, ou um banco privado, a exemplo do que ocorreu nos anos 90, com o Programa de Incentivo à Redução do Setor Público Estadual na Atividade Bancária (Proes).BRB teve perdas bilionárias por comprar carteiras de crédito pobres do Banco Master Foto: Adobe StockPUBLICIDADEOs ativos bons do banco, ou o “good bank”, seriam vendidos a preço de mercado para outra instituição financeira, “salvando” um pedaço do banco. Já a parte ruim, o “bad bank”, seria dado a prejuízo, aumentando a dívida do governo do Distrito Federal.Essa é a tecnologia que o Brasil desenvolveu durante o Proes e foi usada com sucesso em diversos outros bancos públicos que colapsaram logo após a estabilização da moeda, com o Plano Real: Banespa, Banerj e Bemge, para citar três dos maiores.Esse cenário não foi adiante porque é preciso uma autorização da Câmara Distrital do DF autorizando a venda. E a governadora Celina Leão não considera a hipótese. Quem conhece Brasília sabe que o BRB tem uma forte aderência à cultura da cidade, e Leão não quer perder esse símbolo a apenas dois meses das eleições. A ideia, contudo, já tem sido motivo de conversas entre os maiores bancos do País. Mas, sem essa autorização legislativa, nenhuma instituição toparia o negócio diante da insegurança jurídica. PublicidadeEm entrevista ao Estadão, o secretário de Economia do DF afirmou que há “interesses não postos à mesa”, ou seja, essa vontade de outros bancos comprarem o BRB por um preço baixo, e isso estaria travando o plano de socorro. Mas a verdade é que o BRB se complicou sozinho ao se envolver com o Master e nem o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) nem nenhuma instituição pública ou privada, muito menos o Tesouro Nacional, são obrigados a cobrir as perdas do banco.Diante disso, o risco de liquidação permanece sobre a mesa do Banco Central, mas seria a solução mais traumática, com impacto em vários tipos de serviços públicos do Distrito Federal. Até agora, esse cenário não ocorreu por uma questão matemática: o BRB tem mantido a liquidez com as injeções do governo do DF, e para o Banco Central isso basta para manter o banco em operação. O fechamento de uma instituição, como já reiterou a cúpula do BC diversas vezes, é sempre o último caminho, quando todos os outros estão esgotados.A injeção de liquidez tem mudado a composição do risco dentro do BRB. Há capital privado e público deixando a instituição, enquanto dinheiro do governo do DF entra no balanço do banco, garantindo a liquidez para honrar dívidas de curtíssimo prazo. Por isso, o que se comenta pelos corredores de Brasília é de que o FGC já conseguiu reduzir a sua exposição ao BRB à metade.A governadora do DF aposta na política para salvar o BRB. Mas, no setor financeiro, as leis da matemática costumam ser mais fortes.Vale ler tambémUma política de desenvolvimento regional à altura da AmazôniaReforma tributária: brasileiro se assusta com alíquota de 28%, mas já paga imposto maiorA disparada assustadora do desastre fiscal brasileiro