Durigan assinou despacho na noite desta quarta-feira autorizando a operação com o Banco do Brasil, que segundo o estado custeará obras de linhas de metrô, trem e rodovia 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Lula e Tarcísio: Governistas e oposição apontam papel do governador de SP na derrubada da MP — Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil O ministro da Fazenda, Dario Durigan, autorizou que o governo de São Paulo pegue R$ 5,4 bilhões emprestados do Banco do Brasil, com a União como garantidora. A autorização ocorreu na noite desta quarta-feira (12), horas após o estado entrar com uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF) alegando demora na liberação do recurso. Evento em estádio, ato na praia, carreata e até show de violão: como será o primeiro dia de campanha dos presidenciáveis No despacho, assinado às 22h38, Durigan leva em conta as manifestações da Secretaria do Tesouro Nacional e da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional que verificaram que o estado atende aos critérios necessários para fazer essa operação de crédito. O montante, segundo o govero estadual, será usado para obras nas linhas 6 (Laranja) e 5 (Lilás) do metrô, duplicação da Rodovia dos Tamoios e melhorias nas Linhas 8 (Diamante), 9 (Esmeralda), 11 (Coral), 12 (Safira) e 13 (Jade) do trem, além da implementação de travessias hídricas no interior do estado. Nesta quarta, o governo havia protocolado uma ação no STF pedindo uma liminar para a liberação do empréstimo. A gestão Tarcísio de Freitas (Republicanos) argumentou que o estado não vem recebendo tratamento isonômico em comparação a outras unidades da federação que pedem o mesmo tipo de financiamento junto a bancos públicos com a garantia da União. A ação está sob relatoria do ministro Flávio Dino e não teve decisão. Como exemplo da suposta desvantagem, o governo paulista citou, no pedido apresentado ao STF, o andamento de pedidos feitos pelo Piauí, que também passaram pelo crivo técnico em 19 de maio, mas receberam o sinal verde da Fazenda em um intervalo de 49 dias. Essa solicitação de R$ 5,4 bilhões chegou à Fazenda em novembro de 2025, e em maio, os órgãos técnicos da Secretaria do Tesouro Nacional (STN) e da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) emitiram pareceres positivos validando o negócio. Faltava o aval do ministro da Fazenda, que foi concedido na noite desta quarta. Disputa eleitoral O imbróglio técnico, contudo, ganhou fortes contornos eleitorais. Durante debate televisivo no último domingo, na TV Band, Tarcísio de Freitas e Fernando Haddad protagonizaram um choque direto sobre a "paternidade" de obras e os recursos federais. O governador cobrou explicações sobre os processos travados. — Se a visão é republicana, por que os nossos financiamentos com o Banco Europeu de Investimento e com o Banco Mundial estão travados na Casa Civil? Por que eles não foram enviados para o Senado? Por que o nosso financiamento com o Banco do Brasil para fazer a extensão da Linha 5 até o Jardim Ângela e a duplicação (da Rodovia Tamoios) Caraguá-Ubatuba está travado na Fazenda há meses? — indagou o governador. O ex-ministro rebateu citando os expressivos descontos que São Paulo obteve com o programa de renegociação de dívidas dos estados, criticando o adversário por omitir a colaboração do Planalto. — Negar o que o governo federal está fazendo por SP, em entrevista, não é uma prática bonita. Parceria é para ser reconhecida — afirmou. — Então você não recebeu nada? Eu estou te perguntando. Você recebeu R$ 128 bilhões de abatimento de serviço da dívida. Se você somar tudo o que todos os governadores receberam, não dá o que você recebeu de desconto de juro — disse Haddad, que também culpou Tarcísio por demorar a aderir ao Propag. A narrativa de retaliação partidária também é encampada pelo prefeito paulistano, Ricardo Nunes (MDB). Ele tem afirmado que a capital sofre perseguição política, acusando a Casa Civil de reter o encaminhamento de R$ 3,5 bilhões em créditos internacionais que seriam aplicados em novas unidades de saúde e ônibus elétricos. Aliados da direita, como o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), passaram a usar o termo "boicote" para classificar a postura da atual gestão federal. O Ministério da Fazenda rechaçou qualquer morosidade proposital, argumentando que a troca de documentos e exigências segue o ritmo normal previsto em lei e que, historicamente, anos de eleições municipais tendem a sobrecarregar o volume de análises de crédito. A Casa Civil também negou interferências e afirmou que os trâmites são puramente técnicos. Na mesma linha de resposta institucional, Aloizio Mercadante, comandante do BNDES, emitiu uma nota recente enfatizando que São Paulo é o ente que mais recebeu aprovações da instituição financeira.