A principal tese da gestão Tarcísio no tribunal é a ausência de isonomia no tratamento dispensado a São Paulo em comparação a outras unidades da federação 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Tarcísio de Freitas e Fernando Haddad se enfrentam em debate da TV Band — Foto: Maria Isabel Oliveira / O Globo O governo Tarcísio de Freitas (Republicanos) entrou com um recurso no Supremo Tribunal Federal (STF), nesta quarta-feira (12), para obrigar o Ministério da Fazenda a liberar uma operação de crédito avaliada em R$ 5,45 bilhões junto ao Banco do Brasil para custear obras de infraestrutura e mobilidade no estado. O tema virou pivô de troca de acusações entre integrantes do governo federal e estadual, e contamina até a disputa presidencial, já que passou a ser encampada por Flávio Bolsonaro (PL) nas últimas semanas. Na petição apresentada à Corte, a Procuradoria Geral do Estado (PGE) argumenta que a pasta que foi comandada pelo adversário eleitoral Fernando Haddad (PT) está retendo o aval do empréstimo sem motivos técnicos que justifiquem a paralisia. O Executivo paulista pede uma liminar que estipule um limite de 48 horas para a publicação da garantia federal. Caso o Ministério se mantenha em silêncio, a ação solicita que a própria determinação do STF atue como chancela para a operação, exigindo que o dinheiro seja disponibilizado em até cinco dias. Tarcísio em entrega da Linha 17-Ouro do metrô — Foto: Francisco Cepeda / Governo de São Paulo O montante bilionário tem como alvo pelo menos seis frentes de trabalho estratégico. A quantia de R$ 2,26 bilhões cobriria os gastos estruturais da Linha 6-Laranja do metro, R$ 1,19 bilhão para intervenções logísticas na Rodovia dos Tamoios e o prolongamento da Linha 5-Lilás, conectando o Capão Redondo ao Jardim Ângela, receberia R$ 962,8 milhões. Além disso, o governo cita também as rotas ferroviárias das Linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade, que contariam com um aporte de R$ 556 milhões, projetos de melhorias nas Linhas 8-Diamante e 9-Esmeralda e implementação de uma malha de travessia hídrica. Queixas de tratamento desigual A principal tese da gestão Tarcísio no tribunal é a ausência de isonomia no tratamento dispensado a São Paulo em comparação a outras unidades da federação. Segundo os dados anexados ao processo, a solicitação original ocorreu no fim de novembro de 2025. Em maio deste ano, os órgãos técnicos da Secretaria do Tesouro Nacional (STN) e da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) emitiram pareceres positivos validando o negócio. Segundo o governo de São Paulo, o documento, no entanto, encontra-se na mesa do gabinete ministerial desde 16 de julho, acumulando 260 dias de tramitação desde o protocolo inicial. Para ilustrar na peça a suposta desvantagem, o governo paulista citou o andamento de pedidos feitos pelo Piauí, que também passaram pelo crivo técnico em 19 de maio, mas receberam o sinal verde da Fazenda em um intervalo de 49 dias. A gestão Tarcísio ainda afirma que a lentidão burocrática em Brasília já causou baixas recentes no planejamento do Palácio dos Bandeirantes. Tratativas com o Banco Mundial para a expansão das Linhas 2-Verde (US$ 250 milhões) e 4-Amarela (US$ 400 milhões) acabaram perdendo a validade ou sendo arquivadas. A própria instituição financeira internacional chegou a emitir um comunicado no início do ano alertando sobre os riscos de paralisação dos cronogramas caso a União não acelerasse a burocracia. Haddad no debate da Band — Foto: Miguel SCHINCARIOL / AFP Contornos eleitorais O imbróglio técnico, contudo, ganhou fortes contornos eleitorais. Durante debate televisivo no último domingo, na TV Band, Tarcísio de Freitas e Fernando Haddad protagonizaram um choque direto sobre a "paternidade" de obras e os recursos federais. O governador cobrou explicações sobre os processos travados. — Se a visão é republicana, por que os nossos financiamentos com o Banco Europeu de Investimento e com o Banco Mundial estão travados na Casa Civil? Por que eles não foram enviados para o Senado? Por que o nosso financiamento com o Banco do Brasil para fazer a extensão da Linha 5 até o Jardim Ângela e a duplicação (da Rodovia Tamoios) Caraguá-Ubatuba está travado na Fazenda há meses? — indagou o governador. O ex-ministro rebateu citando os expressivos descontos que São Paulo obteve com o programa de renegociação de dívidas dos estados, criticando o adversário por omitir a colaboração do Planalto. — Negar o que o governo federal está fazendo por SP, em entrevista, não é uma prática bonita. Parceria é para ser reconhecida — afirmou. — Então você não recebeu nada? Eu estou te perguntando. Você recebeu R$ 128 bilhões de abatimento de serviço da dívida. Se você somar tudo o que todos os governadores receberam, não dá o que você recebeu de desconto de juro — disse Haddad, que também culpou Tarcísio por demorar a aderir ao Propag. A narrativa de retaliação partidária também é encampada pelo prefeito paulistano, Ricardo Nunes (MDB). Ele tem afirmado que a capital sofre perseguição política, acusando a Casa Civil de reter o encaminhamento de R$ 3,5 bilhões em créditos internacionais que seriam aplicados em novas unidades de saúde e ônibus elétricos. Aliados da direita, como o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), passaram a usar o termo "boicote" para classificar a postura da atual gestão federal. O Ministério da Fazenda rechaçou qualquer morosidade proposital, argumentando que a troca de documentos e exigências segue o ritmo normal previsto em lei e que, historicamente, anos de eleições municipais tendem a sobrecarregar o volume de análises de crédito. A Casa Civil também negou interferências e afirmou que os trâmites são puramente técnicos. Na mesma linha de resposta institucional, Aloizio Mercadante, comandante do BNDES, emitiu uma nota recente enfatizando que São Paulo é o ente que mais recebeu aprovações da instituição financeira. Segundo ele, já foram liberados R$ 163,5 bilhões para o estado sob o governo Lula — um salto de 78,6% em relação aos quatro anos da administração de Jair Bolsonaro. Na ocasião, Mercadante lamentou a ausência de "reciprocidade" institucional e o não reconhecimento das parcerias federais por parte dos mandatários paulistas.
Governo de SP entra com recurso no STF para destravar empréstimo federal de R$ 5,4 bi para obras
A principal tese da gestão Tarcísio no tribunal é a ausência de isonomia no tratamento dispensado a São Paulo em comparação a outras unidades da federação











