Acenos do presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Kassio Nunes Marques, a teses sustentadas pela defesa de Flávio Bolsonaro (PL) na pré-campanha provocaram questionamentos sobre a gestão do ministro na corte e têm levado o magistrado a buscar ajustes para evitar desgastes no cargo.

A Folha ouviu cinco ministros e técnicos do TSE e do STF (Supremo Tribunal Federal) que dizem ter identificado, em decisões e declarações de Kassio nos últimos meses, um alinhamento com posições da equipe jurídica do senador, candidato à Presidência.

O grupo cita como exemplo a censura a uma pesquisa, a pedido da campanha de Flávio. Kassio também sinalizou concordar com advogados do senador sobre a legalidade de deepfake de Jair Bolsonaro que foi exibido na convenção do PL.

O plenário julgará o caso na próxima semana. Sob pressão, segundo aliados, Kassio deve se opor a deepfakes, sejam para divulgar uma candidatura ou para atacar adversários.

Em conversas reservadas, Kassio nega favorecer Flávio e prometeu neutralidade a Lula (PT), para afastar suspeitas sobre sua relação com o grupo de Bolsonaro, que o indicou ao STF em 2020.